POV/ NATHAN
— Daqui a pouco!
— Mas você nem vai oferecer café da manhã?
— ELA FAZ DIETA, DIEGO!
— Tá bom, caralho! Já entendi a dieta!
Ele balançou a cabeça, indignado.
— Coitada dessa mulher. Além de tímida, não pode nem tomar café!
Sakura apertou minha coxa com tanta força que precisei morder a parte interna da bochecha para não reclamar.
Ela ia me matar antes do irmão.
Diego inclinou a cabeça, observando o cobertor.
— Mas, falando sério, Nathan...
— O quê?!
— Ela está respirando aí?
Meu sangue gelou.
Olhei para Sakura. O cobertor estava completamente sobre sua cabeça havia tempo demais.
Merda.
Eu estava tão ocupado tentando impedir que Diego me assassinasse que tinha esquecido que a mulher escondida na minha cama precisava de oxigênio!
Afrouxei discretamente o tecido perto do rosto dela.
— Está!
Diego estreitou os olhos.
— Tem certeza?
— ABSOLUTA!
— Porque você praticamente embrulhou a mulher num edredom!
— Ela gosta!
— De ficar sem respirar?
— DE DORMIR COBERTA!
Diego ficou me olhando por alguns segundos antes de soltar uma gargalhada.
— Rapaz, vocês dois são esquisitos!
Passei a mão pela testa. Eu não tinha mais condições psicológicas de continuar aquela conversa.
— Diego, por tudo que é mais sagrado, vai trabalhar.
— Tá bom, tá bom!
Ele recuou até a porta, mas, quando pensei que finalmente estava livre, virou-se novamente para a cama.
— Ah, moça!
Meu Deus. Eu ia arrancar aquela porta das dobradiças.
— Parabéns! — ele gritou, todo animado. — Você conseguiu domesticar o Beaumont! Isso é um acontecimento histórico!
Sakura soltou um som abafado debaixo do cobertor.
Congelei.
Diego franziu a testa.
— Ela falou alguma coisa?
— Tossiu!
— Ah, tá.
Ele me olhou de cima a baixo.
— Você devia dar uma água para ela. Está parecendo que vai sufocar aí debaixo.
— EU VOU DAR ÁGUA!
— Credo!
Diego ergueu as mãos, rindo.
— Tá bom, apaixonado! Já estou indo!
— VAI!
Ele saiu, mas ainda consegui ouvi-lo falando no corredor:
— Primeira mulher que dorme na casa dele... Quem diria! Vou até marcar essa data no calendário!
— DIEGO!
A gargalhada dele ecoou pela escada.
Dessa vez, esperei ouvir seus passos chegarem ao andar de baixo. Uma porta se abriu e se fechou na cozinha, mas não arrisquei chamar Sakura antes de ter certeza de que ele não voltaria.
Afastei o cobertor do rosto dela.
Sakura apareceu completamente vermelha, com os cabelos pretos grudados nas bochechas e os olhos cheios de lágrimas.
Por um segundo, fiquei preocupado.
— Sakura? Você está bem?
Ela abriu a boca para responder, mas não conseguiu. Começou a gargalhar, dobrando-se sobre a cama enquanto apertava a barriga. Quanto mais tentava recuperar o fôlego, mais ria.
— Meu... Deus... Nathan!
Olhei para ela, indignado.
— Isso não tem graça!
— Tem muita graça!
— Seu irmão quase descobriu!
— Eu sei!
— Ele estava a dois passos de você!
— Eu sei!
— E você estava rindo!
Ela cobriu a boca, mas os ombros continuaram tremendo.
— Desculpa!
— Você não está arrependida!
— Não estou!
Passei as duas mãos pelo rosto.
— Meu Deus do céu. Eu quase morri.
Sakura se aproximou de mim na cama e passou os braços ao redor da minha cintura.
— Tadinho.
Olhei para ela.

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