POV/ NATHAN
Meu estômago afundou.
— Atende.
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Ué, agora você quer que eu fale com ele?
— Sakura!
Ela soltou uma risadinha e atendeu.
— Oi, Diego!
Fiquei imóvel.
— Bom dia! — ela continuou, com a maior naturalidade do mundo. — Não, eu já acordei.
Passei a mão pelo rosto.
Aquela mulher merecia um prêmio. Ou uma internação.
Talvez os dois.
— Aham... Entendi. Não, pode deixar, eu ajudo, sim.
Sakura olhou para mim, e um sorriso apareceu lentamente em seu rosto.
Não.
Não começa.
Pelo amor de Deus.
— Tá bom, Diego. Depois a gente conversa. Beijo!
Ela desligou e ficou me encarando.
Então começou a rir.
— O que foi? — perguntei.
— Nada!
— Sakura!
— Ele queria saber se eu estava acordada!
Olhei para ela.
— E?
— Disse que vai passar lá em casa mais tarde!
Fechei os olhos.
— Maravilha.
Ela continuou:
— E perguntou se eu dormi bem!
Abri os olhos.
Sakura estava quase chorando de rir novamente.
— Meu Deus, Nathan! Se ele soubesse!
Passei a mão pela testa.
— Essa mulher ainda vai me matar.
Ela se aproximou e me abraçou pela cintura.
— Você fica tão bonitinho desesperado.
— Eu estou a um passo de ter um infarto.
— Dramático.
— Realista.
Sakura sorriu. Beijei sua testa antes de me afastar.
— Fica aqui. Vou descer para ver se ele já foi.
— Tá bom.
Vesti uma calça de moletom e uma camiseta, abri a porta e conferi o corredor.
Vazio.
Desci as escadas rapidamente. A cozinha estava vazia, assim como a sala. Espiei pela janela da frente e vi que o carro de Diego não estava mais na garagem.
Graças a Deus.
Conferi se a porta da frente estava fechada e voltei para o andar de cima, sentindo um alívio tão grande que quase comecei a rir sozinho.
Entrei no quarto.
— Ele foi embora.
Sakura estava colocando o casaco.
— Ótimo.
Ela calçou os chinelos e conferiu se não havia esquecido nada.
Fiquei observando.
— Quer que eu te acompanhe?
— Não precisa. Minha casa está do outro lado da rua.
— Eu sei onde você mora, Sakura.
Ela não respondeu. Apenas pegou o celular e caminhou até a porta.
Passei a mão pelos cabelos.
A mudança de humor dela estava me incomodando. Alguns minutos antes, Sakura mal conseguia parar de rir. Agora parecia querer sair dali o mais depressa possível.
— Sakura?
— Oi?
— Você está chateada comigo?
Ela parou e olhou para mim.
— Não, Nathan.

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