POV/MOON
Quando saí do quarto, Rocco continuava sentado ao lado da cama, segurando a mão de Sky. Parei à porta por um instante, observando os cabelos dela espalhados sobre o travesseiro e a maneira como ele se inclinava para falar perto de seu rosto.
Minha irmã ainda não tinha despertado. A equipe continuava acompanhando seu estado, e qualquer pergunta sobre quando abriria os olhos recebia a mesma resposta: precisávamos esperar a avaliação. Era difícil aceitar aquilo, mas eu conseguia sair por alguns minutos sabendo que Rocco permaneceria ao lado dela.
Fechei a porta devagar e procurei o telefone na bolsa. A conversa com Christian voltava à minha cabeça sempre que eu conseguia pensar em outra coisa além do desmaio.
Durante a investigação com Nathan e Sakura, a interface antiga da Blackwood tinha me parecido familiar. Reconheci a aparência da tela, embora não soubesse explicar de onde. Agora Christian dizia que eu podia ter escolhido a senha quando era criança.
Lembrava de ficar perto do meu pai enquanto ele trabalhava, atrapalhando seus movimentos para tentar alcançar o teclado. Ele afastava meu braço, explicava que precisava terminar alguma coisa e, pouco depois, me deixava aproximar novamente. A palavra, porém, não vinha.
Voltei ao quarto. Rocco ergueu o rosto assim que me viu.
— Vou buscar algumas coisas para ela. Roupas, escova de dentes...
Ele olhou para Sky antes de assentir.
— Me avisa quando estiver voltando.
— Se ela acordar, me liga. Não espera eu chegar.
— Eu ligo, Moon.
Aproximei-me da cama e beijei a testa da minha irmã. Sua pele estava morna sob meus lábios. Ajeitei uma mecha ruiva no travesseiro, demorei alguns segundos com a mão perto do rosto dela e me afastei.
Na saída, o movimento da rua me obrigou a parar. Havia carros diante da entrada, pessoas atravessando e alguém pedindo espaço para uma cadeira de rodas. Apertei a alça da bolsa e procurei um táxi.
Durante o percurso, respondi às mensagens que aguardavam no celular. Repetir que Sky estava recebendo atendimento me ajudava a organizar o que sabia, embora continuasse lembrando do peso do braço dela escapando do meu.
Eu estava perto. Tinha encostado nela, percebido que não estava bem, mas não consegui impedir a queda.
Em casa, separei as roupas e os produtos de higiene sem me demorar. Abri a bolsa de Sky duas vezes para conferir tudo. O silêncio me incomodava, e olhei para o telefone antes de fechar a porta.
Rocco não tinha ligado.
No táxi de volta, acomodei os pertences sobre as pernas e prendi o cinto. Já passava das quatro. O sol iluminava parte das fachadas, deixando outras construções na sombra, e acompanhei pela janela o espaço de céu entre os prédios.
Sky gostava de olhar para cima. Meu pai também.
A pergunta de Christian voltou à minha cabeça. Eu tinha escolhido uma palavra e digitado sozinha?
Tentei lembrar do computador. Vieram meus dedos pequenos procurando as letras e a demora para escrever sem ajuda. Eu me inclinava sobre o teclado, impedindo que meu pai olhasse.
Antes daquela senha, existia uma brincadeira.
Minha mãe era a estrela. Eu era a Lua, e Sky era o céu. Achava injusto que minha irmã tivesse tanto espaço enquanto eu precisava ser uma coisa só, mas depois decidi que era bom: daquele jeito, ela podia guardar nós duas.
Apertei a bolsa de roupas. Minha mãe ainda estava viva quando inventei aquilo. Conseguia lembrar de sua presença sem o hospital, o acidente e todas as conversas que vieram depois.
Nós tínhamos um lugar com um nome.
— Estelarium — murmurei.
O motorista olhou pelo retrovisor.
— Falou comigo?
Neguei, procurando o celular.
— Não. Desculpa.
A lembrança do teclado veio em seguida. Meu pai pediu que eu escolhesse uma senha, e usei o nome do nosso lugar. Digitei devagar, conferindo as letras, satisfeita por ter uma combinação que ele não conhecia.
Liguei para Christian antes de conseguir enxugar o rosto.
— Eu lembrei.
— Da senha?
— Estelarium. Christian, é Estelarium.
— Tem certeza?
— Tenho. Era um lugar que inventei para minha mãe, para Sky e para mim. Eu lembro de escrever no computador do meu pai.
Ele me deixou terminar a explicação sem interromper. Falei da estrela, da Lua e do céu, segurando o telefone com uma mão e os pertences de Sky com a outra.
— Onde você está agora? — perguntou.

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