POV/ MOON
Minha mão ficou úmida em volta do aparelho.
— Uma coisa antiga — respondi.
Helena parou perto de Rocco.
— Você disse alguma coisa sobre uma senha?
— Uma lembrança. Ainda preciso conferir.
— De um arquivo da Blackwood? — Lorenzo perguntou.
Rocco se colocou ao meu lado.
— Por que esse interesse todo?
Lorenzo olhou para ele.
— Acabei de ouvir o nome da empresa.
— E eu estou tentando conversar com ela.
Helena tocou o braço do neto.
— Rocco, viemos saber como você está.
Ele afastou o braço para indicar a porta.
— Estou acompanhando Sky. Agora vou voltar para ela.
Ajeitei a bolsa no ombro.
— Eu preciso ir.
Rocco me acompanhou alguns passos, deixando os dois perto do quarto.
— Não entra no prédio sozinha. Espera o Christian.
— Eu espero.
— E pede para ele me ligar. Não quero mais descobrir as coisas pela metade.
Assenti, sentindo vontade de abraçá-lo.
— Cuida da minha irmã.
— Eu vou cuidar.
Segui até o elevador e telefonei para Nathan durante a descida. Ele perguntou por Sky antes que eu explicasse o motivo da chamada.
— Continuam acompanhando. Nathan, eu lembrei a senha. Christian está voltando, e vamos nos encontrar na Blackwood. Avisa a Sakura? Precisamos de vocês lá.
— Vou falar com ela. Você já está indo?
— Estou saindo do hospital.
Depois de combinarmos, procurei outro táxi. Entrei, informei o destino e mandei uma mensagem para Christian. O percurso ficou mais lento perto da ponte, com uma fila de carros ocupando as faixas.
Ele me ligou pouco depois.
— Vi sua mensagem. Por onde você está passando?
Confirmei o trecho com o motorista e repeti.
— Está tudo muito cheio aqui.
— Estou chegando pela mesma região. Posso te encontrar depois da ponte e levar você comigo. Assim não precisamos chegar separados à Blackwood.
— Tudo bem.
Ele pediu a identificação do táxi. Perguntei ao motorista o modelo e li a placa na identificação disponível no carro, repetindo tudo para Christian.
— Certo — ele respondeu. — Vou procurar um lugar depois da travessia. Quando estiver perto, me liga.
— Obrigada por vir me buscar.
— A gente se encontra daqui a pouco, Amor.
Encerrei a chamada e guardei o telefone na mão, enquanto o motorista acompanhava a fila.
O motorista olhou para o retrovisor pela terceira vez em menos de um minuto.
Eu tinha acabado de falar com Christian e ainda segurava o telefone quando percebi que alguma coisa estava incomodando o homem. Ele conferia o espelho, observava a pista e voltava a olhar para trás. Seus dedos apertavam o volante, e ele parecia procurar uma oportunidade para mudar de faixa.

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