POV/ROCCO
Voltei à sala com o telefone na mão e a sensação de que cada deslocamento dentro do hospital precisava ter uma justificativa.
Tinha conferido Sky. Perguntado novamente por Moon. Confirmado que seríamos chamados diante de qualquer novidade.
As respostas ainda exigiam espera.
Christian ficou alguns instantes diante da porta antes de entrar. Eu não precisei perguntar em quem estava pensando. Ele voltou a se sentar com a pasta protegida perto do corpo e olhou para meu telefone.
— Diego respondeu?
— Está mandando o material validado.
Nathan preparou uma forma de visualizar os documentos com clareza, e Sakura reorganizou suas referências. Ninguém fez um comentário sobre o tempo que aquilo levaria. Pela primeira vez, eu não queria rapidez em uma conclusão. Queria saber exatamente o que estava olhando.
Diego ligou quando o envio ficou disponível.
Atendi no viva-voz.
— Separei o que a equipe conseguiu confirmar até agora — explicou. — Há outras operações em análise. As pendências estão identificadas.
Abri o primeiro conjunto.
Os documentos não traziam uma frase pronta sobre quem tinha roubado a Blackwood. Havia comprovantes, contratos localizados, referências cruzadas e observações sobre o que ainda não tinha sido conciliado.
Era o que eu tinha pedido.
Mesmo assim, meu estômago se contraiu ao reconhecer os primeiros nomes.
Gouveia.
Lacerda.
Não em uma anotação informal. Nas relações comerciais e nos vínculos documentais dos beneficiários de pagamentos.
— Isso aqui foi pago? — perguntei.
Diego confirmou que, nas operações assinaladas como verificadas, a saída constava dos comprovantes reunidos pela equipe.
Sakura se aproximou.
— Abre a identificação do favorecido antes de continuar.
Fiz o que pediu.
Ela leu com atenção.
— Aqui o pagamento foi para uma empresa vinculada a Lacerda. Não para a conta pessoal dele.
Olhei novamente.
A diferença era importante, embora não diminuísse minha necessidade de entender a operação.
— E este outro?
Ela percorreu o documento.
— Mesma cautela. Temos que manter o nome do beneficiário que aparece no comprovante e o vínculo que foi documentado. Não podemos trocar uma coisa pela outra.
Diego confirmou que as observações de vínculo estavam acompanhadas das referências utilizadas pela auditoria.
Christian se inclinou.
— Esses contratos estavam entre os que pedi?
Parte deles, sim.
Outros tinham sido separados quando a equipe ampliou a conferência dos registros relacionados.
Percorri os períodos.
Havia operações anteriores à minha gestão.
Continuei.
Uma das sequências alcançava a época em que meu pai ainda estava vivo.
Afastei o telefone alguns centímetros.
— Isso vinha de antes.
Ninguém respondeu imediatamente.
Meu primeiro impulso foi procurar a assinatura dele. Quis saber se tinha visto aqueles pagamentos, se tinha recebido uma explicação, se estava tentando entender exatamente aquilo quando combinou o encontro com Otávio.
Sakura percebeu para onde meu olhar tinha ido.
— Rocco, a data não diz o que seu pai sabia.
Assenti, mas continuei olhando.
— Eu sei.
Não sabia se tinha convencido alguém.
Ela manteve a voz baixa.
— Pode ser relevante para reconstruir o que ele investigava. Mas ainda precisamos dessa ligação.
Respirei fundo e voltei aos documentos.
Os valores eram expressivos o suficiente para que eu deixasse de pensar em erros isolados. Não precisava somá-los de cabeça nem transformar o total em uma cifra anunciada com raiva. Cada operação exigia uma justificativa que a empresa deveria conseguir apresentar.
— Onde está a comprovação do serviço? — perguntei.
Diego indicou o contrato correspondente.
Havia documentação para parte do objeto. Em outras etapas, a equipe ainda não tinha localizado elementos suficientes para conciliar o que foi descrito com o que foi pago.
Nathan pediu que eu ampliasse uma página.
— Esse projeto eu conheço.
Todos nos voltamos para ele.
— A contratada participou de serviços técnicos. Isso aconteceu. O que não reconheço é esse enquadramento aqui.
Apontou para a descrição.
Sakura abriu uma das fotografias antigas.
— Espera.
Encontrou a referência, ampliou e a colocou ao lado do documento da auditoria.
Era o mesmo registro que tinha chamado sua atenção antes.
As descrições não coincidiam.
Christian se aproximou.
— Foi isso que eu identifiquei na comparação preliminar.
Observei as duas versões.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário