POV/SAKURA
Comecei pelos erros que eu tinha conseguido resolver.
Rocco olhou para a primeira imagem e depois para mim, provavelmente esperando que eu chegasse logo ao que considerávamos mais grave. Mantive a fotografia aberta.
— Duas duplicidades e diferenças de classificação não são prova de desvio. Parte das divergências desapareceu quando comparei os ajustes posteriores.
Ele assentiu.
— Quero entender o que continuou sem explicação.
Passei à planilha seguinte.
Expliquei como Diego tinha me instalado perto de sua mesa e entregue os relatórios para conferência. Eu não tinha invadido um sistema nem recebido acesso ilimitado. Trabalhei sobre despesas, previsões, pagamentos e contratos que precisavam ser conciliados.
Foi ali que encontrei os registros.
Nathan aproximou a cadeira quando mostrei a referência de um projeto antigo.
— Eu conheço esse trabalho — disse. — O que não consegui explicar foi a relação entre o período apresentado e alguns pagamentos posteriores.
— Poderia existir um aditivo — acrescentei. — Ou uma obrigação que continuou depois da execução. Só não encontramos o documento que ligaria uma coisa à outra.
Rocco ampliou a imagem.
— Essa contratada ainda presta serviços?
Nathan respondeu apenas o que sabia sobre os projetos em que tinha participado. Não tentou justificar operações que não acompanhou.
Mostrei a repetição de empresas em relatórios diferentes, as descrições semelhantes e as diferenças que permaneciam depois da conferência.
Christian apontou para uma referência.
— Essa é uma das que apareceram com outra descrição no relatório preliminar da auditoria.
Rocco se voltou para ele.
— A mesma operação?
— A referência era a mesma. Por isso pedi os originais, os comprovantes e a identificação de quem autorizou.
— E mandou preservar os registros — completei.
Christian confirmou.
Ele já tinha feito parte do trabalho que agora começávamos a organizar em conjunto. O problema era não termos recebido tudo o que precisava ser comparado.
— Lorenzo entregou documentos? — Nathan perguntou.
— Uma parte. Disse que a equipe continuava procurando os demais.
Rocco pegou o telefone.
Ligou para Diego e explicou que estava com Christian, Nathan e comigo. Não mencionou Otávio nem a gravidez de Moon.
— Preciso dos resultados preliminares já validados da auditoria.
Esperou.
— Não estou pedindo que fechem o que ainda depende de conferência. Separem o que foi confirmado, o que permanece divergente e qual documento falta em cada caso.
Rocco colocou a ligação no viva-voz para Nathan esclarecer a solicitação de quase um bilhão.
— Pedi que a operação permanecesse pendente até a análise adequada — Nathan disse. — Não autorizei pagamento e não tenho essa competência. Precisamos confirmar o desfecho com a área financeira.
Diego concordou em verificar e preparar o material disponível.
Rocco pediu contratos, comprovantes, beneficiários e responsáveis pelas autorizações. Também solicitou que as pendências fossem identificadas, para que ninguém confundisse uma dúvida com uma conclusão.
Quando desligou, olhou para Christian.
— A auditoria já estava andando. Agora quero acompanhar o que ela efetivamente encontrou.
Meu telefone vibrou sobre a mesa, mas não era uma notícia do hospital. Virei a tela para baixo por um instante e me concentrei na próxima parte.
— Tem a sociedade de Otávio e o que foi pago às meninas.
Retomei os quarenta por cento dos lucros e os pagamentos apresentados como aproximadamente três por cento. Rocco se inclinou.
— A diferença foi para onde?
— Essa é a pergunta. Ainda não posso dar a resposta.
Mostrei por que precisávamos conhecer a base dos cálculos. Participação nos lucros não era o mesmo que percentual sobre toda receita. Sem demonstrações e critérios de distribuição, eu não conseguiria calcular a diferença real.
— Mas temos que verificar o que Paulo administrou, o que informou e o que efetivamente pagou — acrescentei.
A cobrança de aproximadamente oitocentos mil contra Sky entrou na conversa em seguida.
Rocco apertou o telefone.
— Quero o contrato analisado junto com os pagamentos. Não separado, como se a cobrança tivesse surgido sem uma história antes.
Concordei.
Foi Nathan quem trouxe a apropriação comercial da Zenitê por Sérgio.
— Precisamos separar a disputa pela tecnologia da participação na sociedade. Uma não resolve automaticamente a outra.
Christian confirmou o que Otávio tinha dito, mantendo o limite entre seu relato e os documentos que ainda abriríamos.
Passei então à ocorrência de plágio.
O nome de Gael apareceu na tela.
Rocco leu duas vezes.

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