POV/ ROCCO
Jussara respondeu antes que ele pudesse adiar novamente.
— Eu fiz outro acordo com seu avô.
Olhei para ela.
— Outro?
Ela assentiu.
— Em cima do que já existia entre nossas famílias.
Passei a mão pelo queixo, tentando acompanhar.
— Espera. Seu pai emprestou dinheiro para os negócios do meu tio. Meu avô se comprometeu a resolver. E depois vocês dois fizeram um acordo envolvendo meu casamento sem me contar?
Jussara apertou os lábios.
— Eu achei que você soubesse.
— Não sabia.
Minha voz saiu mais firme.
Christian continuava perto o suficiente para que eu sentisse seu braço encostar no meu quando se moveu.
— Nenhum dos dois sabia — acrescentou.
Jussara baixou os olhos por um instante. Quando voltou a falar, a impaciência tinha diminuído.
— Eu queria uma empresa minha. Uma estrutura que não dependesse do meu pai para cada decisão. Heitor disse que poderia viabilizar isso com o casamento e com o que vocês já estavam organizando.
— E a dívida? — perguntei.
— Eu assumiria o pagamento ao meu pai com os recursos que passasse a ter. Aos poucos, conforme o negócio funcionasse e dentro de uma negociação que eu mesma faria com ele. Seu avô teria uma solução, e eu teria uma vida fora do controle da minha família.
Olhei para Heitor.
— Foi por isso?
Ele respirou fundo.
— Estávamos procurando uma saída que beneficiasse todos.
— Todos menos quem não sabia que estava sendo colocado no meio dela.
Minha avó se aproximou um pouco.
— Rocco, ninguém queria prejudicar você.
A frase quase me fez rir.
Não havia nada de engraçado.
Jussara olhou para mim antes de continuar.
— Você não sabe como é na minha casa.
Mantive os olhos nela.
— Então me conta.
Ela pareceu surpresa com a resposta. Seus dedos se fecharam sobre a alça da bolsa antes que falasse.
— Tudo passa pelo meu pai. O que eu faço, onde vou, quanto gasto, com quem apareço. Tenho dinheiro, mas preciso explicar cada escolha como se ainda fosse uma criança pedindo autorização.
Sua voz permaneceu baixa, embora algumas palavras saíssem mais depressa.
— Eu queria construir alguma coisa. Trabalhar sem saber que, a qualquer momento, ele poderia decidir que meu plano não servia mais. Ter um lugar onde a última palavra pudesse ser minha.
Compreendi aquela parte.
Não significava que conseguiria aceitar o restante.
— E achou que casar comigo resolveria isso?
— Achei que seria uma possibilidade.
Ela olhou para Christian.
— Meu pai poderia ter decidido que eu deveria me casar com você. E eu provavelmente teria ouvido a mesma conversa sobre família, negócios e obrigação.
Christian não respondeu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário