POV/ ROCCO
Jussara permaneceu em silêncio.
Voltei-me para Heitor.
— E o senhor vai precisar explicar essa dívida.
Meu avô soltou o encosto da cadeira apenas para segurar outra vez.
— Eu ia resolver.
— Com meu casamento.
— Você está simplificando uma situação complexa.
— Então explique sem esconder de novo a parte que eu preciso saber.
Christian se aproximou mais.
— Também quero saber por que Lorenzo precisou de um empréstimo e por que isso não chegou até mim.
Heitor olhou para ele.
— Seu pai cuidava de assuntos que não eram da sua responsabilidade.
— Aparentemente, cuidava — Christian respondeu. — Mas agora querem usar a vida de Rocco para pagar por eles.
Minha avó tocou o braço do marido.
Jussara se voltou para os dois.
— Não contem mais comigo para isso.
Heitor levantou o rosto.
— Jussara…
— Não vou assumir essa dívida. O empréstimo não foi feito por mim, e não vou passar os próximos anos pagando por uma solução que nem existe mais.
— Precisamos conversar com calma.
Ela balançou a cabeça.
— O senhor teve tempo de conversar. Eu fiz planos acreditando que estávamos entendidos.
Seu olhar passou por mim antes de voltar a ele.
— Tem uma semana para apresentar uma solução ao meu pai. Vou deixar claro que não faço mais parte desse acordo.
— Uma semana? — perguntei.
Eu sequer sabia o valor, as condições ou o que tinha sido oferecido em troca daquele dinheiro.
Jussara me olhou.
— É melhor vocês conversarem.
A enfermeira apareceu à porta naquele instante.
— Senhores, precisamos encerrar a visita. As pacientes necessitam de descanso.
Eu ia concordar quando meu avô soltou uma respiração diferente.
Virei-me.
Heitor levou a mão ao peito.
Todo o resto perdeu urgência.
— Vô?
Ele tentou se apoiar melhor na cadeira, mas seus dedos deslizaram pelo encosto. Aproximei-me antes que terminasse o movimento.
— Senta. Devagar.
Seus joelhos cederam.
Segurei seu braço e passei a outra mão por trás de seu tronco enquanto Christian afastava a cadeira. O peso me puxou para baixo, e acompanhei a queda até o chão, tentando proteger sua cabeça.
— Preciso de ajuda aqui!
A enfermeira já estava chamando a equipe.
Minha avó repetiu o nome dele, e ouvi Sky perguntar o que tinha acontecido. Eu não consegui me virar.
Meu avô estava sob minhas mãos.
— Vô, consegue me ouvir?
Seu rosto se moveu pouco.
Procurei uma resposta enquanto os profissionais se aproximavam. Quando uma mão tocou meu ombro e me pediu espaço, demorei a compreender que precisava soltá-lo.
Christian segurou meu braço.
— Deixa a equipe trabalhar.
Recuei com a ajuda dele.

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