POV/SKY
Eu tinha acabado de devolver o copo à mesa quando ouvi uma batida na porta.
Moon ergueu o rosto antes de mim. Christian estava perto de sua cama, conferindo alguma coisa no telefone, e Rocco tinha se afastado alguns minutos para perguntar pelo avô.
A enfermeira apareceu primeiro.
— A senhora Helena gostaria de conversar com vocês.
Minha mão permaneceu perto do copo.
Olhei para a porta e encontrei o rosto dela atrás da profissional. Durante um instante, lembrei da outra conversa que tivemos, longe daquele hospital. Da oferta de dinheiro, da maneira como falou sobre meu filho e da certeza com que esperava que eu aceitasse desaparecer da vida de Rocco.
Agora eu sabia que eram dois bebês.
Levei a mão à barriga sem perceber.
Christian guardou o telefone e se aproximou de Moon.
— Vocês querem receber?
A pergunta me fez olhar para ele. Não era uma visita que já estava decidida apenas porque Helena tinha chegado.
Moon procurou meus olhos.
— Por mim, ela pode falar — respondi. — Se for uma conversa breve.
A enfermeira assentiu e permitiu que Helena entrasse. Christian permaneceu perto da cama de minha irmã, mas não ofereceu uma cadeira à avó imediatamente.
Ela parou a alguns passos de nós.
Usava a bolsa junto ao corpo e segurava um lenço amassado. Seus olhos estavam avermelhados. Mesmo assim, o que chamou minha atenção foi o tempo que levou para conseguir olhar diretamente para mim.
— Obrigada por me receberem.
Não respondi.
Moon ajeitou a mão sobre o lençol, e ouvi o pequeno ruído do tecido no silêncio que veio depois.
— Eu não vou demorar — Helena continuou.
A porta se abriu novamente, e Rocco entrou. Seu olhar foi de nós até a avó antes que se aproximasse da minha cama.
— O que aconteceu?
— Ela pediu para conversar — expliquei.
Ele olhou para mim.
— Você quer?
Assenti.
Rocco ficou ao meu lado. A presença dele diminuiu a vontade que eu tinha de me encolher contra o travesseiro.
Helena acompanhou o movimento, mas não fez nenhum comentário.
— Eu vim pedir desculpas.
Esperei que continuasse.
Ela passou o polegar pela borda do lenço.
— Pelo modo como tratei vocês. Pelo que disse, pelas coisas que tentei decidir.
Christian cruzou os braços, tomando cuidado com o curativo. Rocco permaneceu imóvel ao meu lado.
— Principalmente pelo que fiz com você, Sky.
Minha garganta apertou.
Eu sabia a que se referia, mas não queria ajudá-la a encontrar uma forma confortável de dizer.
Helena ergueu os olhos.
— Eu ofereci dinheiro para que se afastasse de Rocco. E tentei fazer você abrir mão da sua gravidez.
Moon se virou para mim.
O silêncio no quarto mudou. Senti Rocco procurar minha mão, mas ele não a segurou até que eu abrisse os dedos.
Olhei para o rosto dele e encontrei os olhos fixos na avó.
— Você fez o quê? — perguntou.
Helena apertou o lenço.
— Eu fiz isso.
Rocco deu um passo, e segurei sua mão com mais força.
Ele parou e olhou para mim.
Eu não queria outra discussão ao lado da cama. Também não queria que ela saísse sem dizer o que tinha feito.
— Deixa ela terminar — pedi.
Minha voz saiu baixa, mas firme o suficiente para que ele permanecesse.
Helena respirou antes de continuar.
— Foi cruel. Eu não tinha o direito de entrar na sua vida daquela forma nem de falar sobre seu filho como se fosse um problema que poderia resolver.
Olhei para minha barriga.
Durante algum tempo, depois daquela visita, eu tinha carregado suas palavras junto com o medo de perder Rocco. Agora ele estava perto e seus dedos apertavam os meus, mas isso não fazia a lembrança desaparecer.
— Eu estava assustada — falei.
Helena assentiu depressa.
— Eu sei.
Levantei o rosto.
— Não. A senhora sabe o que disse. O que eu senti depois, não.
Ela fechou a boca.
Passei a língua pelos lábios antes de continuar.
— Eu já tinha problemas demais. Estava tentando entender minha gravidez, cuidar da minha vida e saber se o homem que eu amo ia sair daquele hospital. A senhora me procurou e fez parecer que eu ainda precisava me defender por querer meu filho.
Minha voz falhou na última palavra.
Rocco se aproximou mais da cama.


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