Na manhã seguinte, Ema acordou já com a decisão tomada.
Depois de organizar a rotina das crianças e se despedir delas na entrada da escolinha, foi direto para o estúdio.
Assim que entrou na sala, mandou uma mensagem para Givaldo:
“Quando puder, preciso falar com você. É importante.”
A resposta veio alguns minutos depois:
“Estou em reunião agora. Depois do almoço consigo.”
Ema respondeu apenas com um “certo”.
Passou a manhã inteira tentando trabalhar, mas a concentração não vinha.
Toda vez que olhava para o celular, lembrava-se da foto de Carina com o advogado casado.
E, sempre que essa lembrança surgia, a caixa com o celular novo enviado por Alípio vinha logo atrás.
Era como se todos os problemas estivessem se empilhando ao mesmo tempo.
Por volta do meio-dia, recebeu uma ligação de Henrique.
— Não era para eu te ligar agora, mas surgiu mais uma informação.
Ema fechou a porta da sala antes de responder:
— O quê?
— O advogado, Marcelo Teles, não só é casado como já teve outras histórias parecidas antes. E parece que a Carina não é exatamente a primeira cliente “especial” dele.
Ema fechou os olhos por um instante.
— Você tem prova?
— Ainda não o suficiente para uma acusação séria. Mas tenho indícios bons o bastante para te dizer que isso está bem longe de parecer inocente.
Ela ficou em silêncio.
Henrique continuou:
— E outra coisa. Ontem à noite alguém tentou puxar o histórico do teu carro mais uma vez. Se eu fosse você, assumiria que o Alípio não vai parar tão cedo.
— Eu já assumi.
Henrique riu sem humor do outro lado da linha.
— Ótimo. Então para de ser boazinha.
Depois de desligar, Ema ficou alguns segundos parada, imóvel, olhando para a mesa.
“Para de ser boazinha.”
Talvez esse fosse mesmo o problema.
...
Depois do almoço, Givaldo chegou à sala dela pontualmente.
Ao ver a expressão séria de Ema, fechou a porta e perguntou sem rodeios:
— O que houve?
Ema pegou o celular, abriu a foto e o colocou diante dele.
— Eu vi a Carina ontem.
Givaldo olhou para a tela.
No começo, sua expressão permaneceu neutra. Depois, os músculos do rosto se tensionaram aos poucos.
— Onde isso foi tirado?
— Perto de um prédio comercial, depois do almoço. — respondeu Ema. — Eu a vi saindo do elevador de um restaurante, achei estranho e fui confirmar.
Givaldo continuou olhando a imagem em silêncio.
Ema prosseguiu:
— Antes que você pergunte: eu não queria me meter. Mas também não achei certo esconder isso.
Ele finalmente ergueu os olhos para ela.
O rosto estava fechado, mas não havia explosão, nem descontrole.

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