Assim que Givaldo deixou a sala, Hortensia entrou sem bater, como já fazia quando percebia que o clima estava estranho demais para formalidades.
— E então?
Ema soltou um suspiro e se recostou na cadeira.
— Eu contei.
Hortensia puxou a cadeira da frente e se sentou.
— E ele?
— Ficou calmo demais.
Hortensia fez uma careta.
— Isso nunca é um bom sinal em homem nenhum.
Ema não discordou.
Na verdade, o controle de Givaldo a preocupava mais do que uma reação explosiva.
Reação explosiva é visível. Já a raiva silenciosa...
Essa costuma crescer em silêncio e quebrar tudo por dentro antes de explodir.
— Você acha que ele vai tirar satisfação com ela hoje? — perguntou Hortensia.
Ema balançou a cabeça.
— Acho que ele vai investigar antes.
Hortensia cruzou os braços.
— Pelo menos isso é melhor do que sair batendo em alguém.
Ema lançou um olhar seco para ela.
— Não ajuda.
— Estou tentando.
As duas ficaram em silêncio por alguns segundos.
Até que o celular de Ema vibrou novamente.
Era uma mensagem de um número desconhecido.
“Recebeu o presente?”
Ela olhou para a tela com puro tédio.
Nem precisava pensar.
Alípio.
Sem responder, bloqueou o número.
Dois minutos depois, outro número:
“Você bloqueia rápido.”
Ema soltou uma risada sem humor.
Hortensia, ao ver a expressão dela, perguntou:
— É ele de novo?
— É.
— Quer que eu mande alguém jogar aquele celular no lixo?
Ema pensou por um instante.

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