Naquela noite, depois de colocar as crianças para dormir, Ema foi até o escritório da casa com uma xícara de chá e o notebook.
Precisava revisar contratos e responder alguns e-mails pendentes, mas, antes mesmo de abrir os arquivos, recebeu uma ligação de Givaldo.
Atendeu na mesma hora.
— Descobri uma coisa.
A voz dele vinha baixa, controlada demais.
— O quê? — perguntou Ema.
— A Carina realmente já está na cidade há mais de um dia.
Ema fechou os olhos por um instante.
Então não tinha sido impressão nem coincidência.
— E ela mentiu para você.
— Sim.
O silêncio do outro lado da linha durou alguns segundos antes de ele continuar:
— Eu também confirmei quem é o homem. É mesmo o Marcelo Teles.
Ema apertou mais forte a xícara quente.
— Você falou com ela?
— Ainda não.
— Vai falar hoje?
— Não. — respondeu ele. — Se eu falar agora, vai ser na raiva. E eu não quero isso.
Ema soltou o ar devagar, aliviada por ele ainda manter algum controle.
— Faz certo.
Givaldo então perguntou:
— Você sabia que ela estava mentindo desde ontem e mesmo assim esperou até hoje para me mostrar?
A pergunta veio num tom neutro, mas havia algo por baixo.
Ema respondeu com honestidade:
— Sim. Porque eu queria ter certeza antes de jogar isso no seu colo.
Ele ficou em silêncio por mais um momento.
Depois disse:
— Obrigado.
Dessa vez o agradecimento soou mais real do que no começo do dia.
Ema baixou os olhos para o vapor do chá.
— Givaldo... se precisar de ajuda para organizar as coisas, eu ajudo no que for possível. Mas não me peça para participar de discussão entre vocês dois.
Ele soltou uma risada curta, amarga.
— Fica tranquila. Já estou passando vergonha suficiente sozinho.
Ela não respondeu.
Havia algo de profundamente triste naquela frase.
No fundo, por mais que os dois jamais tivessem construído um amor romântico de verdade, existia entre eles uma forma peculiar de lealdade.
E ver alguém do outro lado sendo enganado ainda doía.

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