Na véspera da audiência, Helena reuniu Ema e Givaldo mais uma vez para revisar tudo.
Desta vez, o clima era menos de construção e mais de contenção.
Quase tudo já estava pronto.
Agora o foco era evitar erro.
— Amanhã vocês não interrompem um ao outro. Não respondem por impulso. E, principalmente, não entram no jogo emocional que ele tentar propor. — disse Helena.
Ema assentiu.
Givaldo também.
Helena então virou-se diretamente para Ema:
— Se ele olhar para você de forma insistente, ignora. Se falar diretamente em tom pessoal, você só responde o que for pertinente ao objeto da audiência. Sem passado afetivo. Sem memória íntima. Sem “você fez isso” ou “você era aquilo”. Entendeu?
— Entendi.
Helena fez uma pausa antes de continuar:
— E outra coisa: ele pode tentar parecer vulnerável. Às vezes isso desarma mais do que a agressividade.
A frase despertou algo desconfortável em Ema.
Porque, por mais que não quisesse admitir, ela mesma já tinha percebido essa mudança de registro nele.
Menos confronto direto.
Mais apelo.
Mais peso emocional.
— Eu não vou me comover. — respondeu.
Helena a observou por um instante.
— Não é isso que me preocupa. O que me preocupa é você ficar com raiva por ele tentar se fazer de vítima.
Ema não respondeu.
Porque era exatamente isso que provavelmente aconteceria.
...
Na volta para casa, Givaldo dirigia, e Ema permanecia calada.
Depois de alguns minutos, ele perguntou:
— Você está pensando no quê?
Ela demorou a responder.
— Na hipótese de amanhã não ser ruim só juridicamente.
— E emocionalmente?
— Sim.
Givaldo apertou o volante.
— Vai ser.
A honestidade dele foi tão seca que Ema quase riu.
— Obrigada pelo consolo.
— Prefere mentira?
— Não.
Ficaram em silêncio mais um pouco.
Até que ele disse:
— Então se prepara para o pior e, se vier menos que isso, já sai no lucro.

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