Na manhã da audiência, Ema acordou antes do despertador.
O céu ainda estava escuro, e a casa permanecia em absoluto silêncio.
Ficou alguns segundos sentada na cama, respirando devagar, até entender que não voltaria a dormir.
Levantou-se, foi até a cozinha e preparou café sozinha, no escuro parcial da madrugada.
Quando Givaldo apareceu, já vestido, ela estava sentada à mesa com a xícara entre as mãos.
Ele apenas a observou por um instante antes de perguntar:
— Você dormiu alguma coisa?
— Um pouco.
Ele assentiu, como se a resposta já fosse suficiente.
Nenhum dos dois sentia vontade de fingir normalidade naquela manhã.
As crianças acordaram pouco depois, e a rotina, por alguns minutos, precisou se impor:
uniformes,
escovas de dente,
lancheira,
sapatos trocados,
um choro curto porque Kleber queria outra camiseta.
A banalidade prática do cotidiano foi quase um alívio.
Depois que os pequenos saíram com as senhoras, a casa voltou ao silêncio.
Ema subiu para trocar de roupa.
Escolheu um conjunto sóbrio, em tons neutros, sem qualquer detalhe que chamasse atenção.
Quando desceu, Givaldo já a esperava na sala.
Olhou-a de cima a baixo por um segundo e comentou:
— Você está impecável.
Ela ajustou a barra da manga.
— Eu me sinto indo para uma guerra.
— Porque está.
A resposta saiu simples demais para ser dramática.
E, ainda assim, foi a mais precisa do dia.
...
No fórum, Helena já os aguardava na entrada.
Trazia uma pasta grossa, o tablet na mão e um semblante impenetrável.
— Vamos entrar.
No corredor que levava à sala de audiência, o ar parecia mais frio do que o normal.
Havia advogados circulando, famílias tensas, vozes baixas, sapatos ecoando no piso.

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