Na manhã seguinte, a suspensão começou.
Hortensia já havia acionado equipe, agências e responsáveis pelos contratos em andamento com justificativas neutras:
ajustes estratégicos de agenda,
reorganização interna,
preservação da imagem das crianças,
compatibilização com rotina escolar.
Por fora, tudo parecia apenas uma pausa de gestão.
Por dentro, Ema sentia como se estivesse recolhendo os filhos de volta para dentro de casa no exato momento em que começavam a conquistar o próprio espaço.
Quando recebeu a planilha atualizada com as gravações remarcadas e as ações suspensas, ficou alguns segundos olhando para a tela sem conseguir clicar em nada.
Foi Hortensia quem rompeu o silêncio na chamada de vídeo:
— Eu sei. É uma droga.
Ema assentiu.
— Parece que estou punindo eles por um problema que não criaram.
Hortensia balançou a cabeça de imediato.
— Não. Você está impedindo que eles sejam punidos mais ainda pela internet.
A resposta era correta.
Mesmo assim, o desconforto permanecia.
...
Mais tarde, ao levar as crianças para a escola, Ema percebeu que a própria postura tinha mudado.
O olhar estava mais atento.
O corpo, mais rígido.
O tempo todo avaliando quem olhava demais, quem se aproximava, quem parecia reconhecer alguma coisa.
Era exaustivo.
Dário percebeu de novo.
No banco de trás, perguntou:
— Mamãe, por que você está tão séria esses dias?
Ema ajustou o retrovisor para olhá-lo por um segundo.
— Estou só pensando em muita coisa.
Kleber entrou no assunto sem ser convidado:
— Quando eu penso em muita coisa, eu fico com dor de barriga.
Érica, do outro lado, completou:
— Eu fico brava.
A sinceridade dos três quase arrancou uma risada dela.
— Então talvez eu esteja um pouco dos dois.

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