No dia da segunda visita da equipe técnica, Ema se obrigou a não cair no mesmo impulso da primeira vez.
Nada de arrumar a casa compulsivamente até parecer uma vitrine.
Nada de controlar cada detalhe para provar alguma coisa.
A casa já era uma casa.
As crianças já eram crianças.
A rotina já existia antes de qualquer processo.
Quando Patrícia chegou novamente, desta vez acompanhada por outro profissional, o ambiente estava normal:
blocos espalhados na sala,
um copo esquecido sobre a mesinha,
um desenho pela metade no chão.
Ema quase sentiu um alívio em deixar que as coisas permanecessem assim.
A visita foi mais longa que a anterior.
Os técnicos observaram o fim da tarde, o retorno da escola, o jeito como as crianças se distribuíam pela casa, como buscavam Ema para pequenas mediações e como Givaldo se inseria naquela dinâmica sem tentar ocupar o centro.
Em determinado momento, Patrícia pediu para conversar com Ema separadamente na cozinha.
— A senhora percebe que os menores recorrem muito à senhora para organização emocional do ambiente?
Ema secou as mãos no pano de prato antes de responder:
— Sim.
— Isso a sobrecarrega?
A pergunta veio limpa, sem malícia.
Ainda assim, Ema demorou um pouco antes de responder.
— Sim. Mas isso não significa que seja um peso que eu rejeite.
Patrícia anotou algo.
— Eu não perguntei nesse sentido. Perguntei porque às vezes cuidadores muito centralizadores acabam dificultando aproximações futuras por medo de perder função.
Ema sustentou o olhar da técnica.
Ali estava uma das armadilhas mais previsíveis:

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