Após deixar o Solar do Vale e chegar ao centro da cidade, Ema ordenou ao motorista que a levasse diretamente à clínica obstétrica.
Ao descer do carro, ela parou na entrada do hospital, fitando as grandes letras douradas no topo do edifício, com o coração em tormento.
Ela acariciou seu ventre, ainda plano, como se duas vozes discutissem na cabeça dela.
Uma voz a acusava de ser desumana, de rejeitar a própria carne e sangue.
A outra a aconselhava a ter a criança, dizendo que seria um anjinho adorável, a pessoa mais próxima a ela neste mundo.
Ema nunca havia sentido uma agonia tão profunda; a escolha surgira em sua vida de uma forma brutalmente forçada.
— O quê? Você tomou tantas injeções e ainda não engravidou? O médico não disse que havia esperança?
Uma mulher de meia-idade, com o rosto amargurado, murmurava enquanto encarava a jovem ao seu lado.
Do outro lado, passava uma garota pálida, de lábios secos e olhos abatidos, enquanto o rapaz ao seu lado perguntava repetidamente se ela sentia dor.
Ema observava essas cenas e sentia o peito apertar ainda mais.
Filhos: alguns desejam desesperadamente e não conseguem; outros, por vários motivos, não podem tê-los.
Ela...
Ema subiu os degraus com passos pesados e, com extrema lentidão, tirou seus documentos para entrar na fila do guichê.
Quando finalmente entrou no consultório, a médica de meia-idade passou os olhos frios pelo relatório e depois examinou o rosto de Ema, perguntando com indiferença:
— É a primeira consulta? O bebê está saudável. Por que você está pensando em interromper?
Ema levantou a cabeça e encontrou o olhar da médica, que escondia uma frieza, quase um desprezo.
Sentiu-se como se estivesse passando por um julgamento.
Ema ficou em silêncio por um momento, recuperou a compostura e respondeu calmamente:
— Meu marido morreu. Tenho medo de não conseguir sustentá-lo sozinha.
A médica retrucou:
— Você não trabalha? E a família? O aborto prejudica o corpo, já pensou bem?
Ema assentiu, embora sem muita firmeza. A médica lançou-lhe um olhar rápido, sem muita paciência, digitou algo no teclado e devolveu o cartão e o prontuário:
— Refaça estes exames. Traga o relatório quando sair. Depois que eu analisar, a gente agenda o procedimento.
Ema saiu do consultório arrastando os pés, andando pelo corredor como se estivesse no automático.
O prontuário em suas mãos já estava amassado de tanto ser apertado.
Demorou um bom tempo para que suas emoções se acalmassem antes de fazer os exames, um por um.
Desde a primeira vez que foi ao hospital por desconforto estomacal e falta de apetite, quando o médico lhe informou que estava grávida. Aquela sensação de alegria e felicidade durou menos de meia hora.
Logo depois, recebeu a ligação de Alípio pedindo o divórcio.
Ela assinou sem criar caso. Naquele momento, ela tinha a intenção de ficar com a criança.
Mas, pelas palavras estranhas de Alípio, ela percebeu que ele não apenas não a amava, como a desprezava e a humilhava repetidamente.
Aquela noite que passaram juntos... ela não acreditava que ele não se lembrasse de nada!
Ela sabia que alguém bêbado poderia ter um apagão, mas, no nível de um apagão total, que força restaria para fazer aquilo?
Porém, hoje ele foi capaz de questionar com escárnio de quem era o filho.
O desprezo dele não era apenas financeiro ou social; ele desprezava até mesmo o caráter dela...
Quando Ema se levantou da cadeira, suas mãos e pés estavam gelados.
Ela mordeu o lábio e voltou ao consultório para procurar a médica:
— Doutora... eu decidi...
— Ema?
Ema virou-se na direção da voz que a interrompeu e viu um homem bonito parado à porta.

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