Mesmo de boné e máscara, Dália tinha conseguido reconhecê-la?
Ema estava acostumada a uma vida simples e tranquila e não tinha muita vontade de se aproximar de muita gente. Mas, já que a outra a reconheceu, seria falta de educação negar.
Ema fez um leve aceno de cabeça, escaneou o código para pagar e se preparou para sair, mas Dália a seguiu.
— Nossa, parece que o destino realmente fez a gente se esbarrar de novo. — Dália disse, olhando em volta. — Você veio passear com amigos?
Ema respondeu secamente:
— Sim, com alguns amigos.
— Você parece ser uma pessoa de poucas palavras, bem reservada, né? — Dália parou de andar e estendeu a mão para Ema. — Olá, deixa eu me apresentar de novo. Dália, fotógrafa renomada.
Ao ver aquele sorriso encantador no rosto dela, Ema sentiu certo desconforto. Parecia o tipo de sorriso polido demais que ela costumava encontrar no trabalho.
Ainda assim, Ema apertou a mão dela com educação.
Dália continuou:
— Naquele banquete, eu achei que você fosse só a acompanhante do Alípio. Mas, no dia da inauguração do seu estúdio, a gente ficou sabendo no meio profissional do presentão que ele te deu.
Dália analisava Ema enquanto falava. Só ela sabia o tamanho da inveja que sentiu ao ouvir sobre aquele episódio e depois ver alguns vídeos gravados por pessoas na internet.
Alípio se recusou a investir no estúdio dela, mas deu atenção especial ao de Ema.
Qualquer pessoa sabia que um homem com o status dele, entregando um presente daquela forma, atrairia imediatamente um monte de gente querendo agradar essa mulher.
Será que Dália também tinha escolhido aquele mesmo bairro cultural para abrir o estúdio? E, como Ema abriu primeiro, isso a prejudicou a ponto de ela não conseguir mais abrir o dela?
Ema recuperou a compostura e respondeu educadamente:
— Sra. Sampaio, o Alípio de quem você está falando é o presidente do Grupo Salazar? Eu fui par dele num evento uma vez, mas ele não veio entregar o presente de inauguração por minha causa. Eu sou muito próxima de um amigo dele, então ele apareceu para prestigiar esse amigo.
— É mesmo? Me desculpe, como eu sou indiscreta. A propósito, você também é fotógrafa? Ou abriu o estúdio só porque queria ter o próprio negócio?
Dália respondeu imediatamente, se desculpando. Ela sorriu com certo constrangimento, mas havia incredulidade escondida naquele sorriso diante do que Ema acabara de dizer.
Sem alterar a expressão, Ema continuou a responder com cortesia:
— Já ouvi falar muito da senhora, Sra. Sampaio, como uma profissional veterana e muito respeitada no mundo da fotografia. Eu sou só uma iniciante, ainda aprendendo. Quanto a abrir um estúdio, como eu não sou muito boa em socializar nem em lidar com relações profissionais, achei melhor trabalhar por conta própria.

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