Tanto em sua expressão quanto em sua postura, ele recuperou instantaneamente a aparência austera de antes de entrar no elevador.
Ema murmurou intimamente:
— ...
Aquele cafajeste ou era louco ou tinha esquizofrenia!
Ema o fuzilou com o olhar antes de sair do elevador, contrariada.
Ao sair, percebeu que havia algumas pessoas paradas de ambos os lados da porta. O olhar com que a analisavam fazia parecer que ela era uma mulher de má vida.
Ema ponderou:
— ...
No momento em que a porta do elevador se abriu, será que a visão dela estava bloqueada por Alípio e por isso não vira que havia pessoas lá fora?
Mas Ema logo deduziu que eles deviam estar parados ali antes, viram a cena em que Alípio a prensava contra a parede do elevador e, só então, adotaram aquele olhar.
Aos poucos, no entanto, Ema notou que os olhares deles varriam constantemente o seu vestido rasgado e o paletó que a envolvia.
Ema franziu a testa e abaixou ligeiramente a cabeça para ver. Aquilo...
Eles achavam que...
Ema sentiu suas bochechas esquentarem levemente. Ela já havia sofrido o desprezo por parecer pobre, mas nunca por algo assim.
Somando isso ao assédio esquizofrênico de Alípio no elevador agora há pouco, a raiva em seu coração pareceu explodir de uma vez.
Um sorriso indecifrável logo surgiu no canto dos lábios de Ema, mas seus olhos estavam afiadíssimos.
Ela apertou os lábios, adotou um tom de deboche e abriu a boca:
— O que estão olhando?! Nunca viram um casal flertando?!
Esse grito não assustou os espectadores, mas chocou Alípio.

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