As últimas palavras de Ema saíram abafadas por um soluço, e ela logo abraçou Zenobia de novo.
— Pronto, pronto, não chora. Está vendo? Já passou. Afinal, eu sou uma guerreira do mundo corporativo. Deus protege quem age com honestidade, e quem não deve não teme.
Zenobia dava leves tapinhas nas costas de Ema, tentando acalmá-la num tom animado.
As duas passaram o tempo alternando entre lágrimas e risos, até finalmente saírem do hotel à noite.
....................
No dia seguinte.
Zenobia não hesitou em entregar sua carta de demissão na Agência Ponto Alto.
Foi ao shopping, comprou presentes caríssimos e colocou na bolsa todos os cartões bancários com suas economias, além dos documentos de transferência da casa e do carro.
Em resumo, levou praticamente tudo o que havia conquistado com tanto esforço ao longo dos anos.
Ao chegar ao térreo do Grupo Salazar, foi até a recepção e disse com extrema educação:
— Olá, meu nome é Zenobia. Vim visitar o Sr. Salazar. Poderia avisá-lo, por favor? Se for preciso agendar um horário, me digam quando seria possível.
A recepcionista olhou para Zenobia com uma expressão confusa e respondeu, gaguejando:
— Um... um momento, por favor.
Enquanto ligava para a presidência, a recepcionista trocava olhares cheios de curiosidade com a colega ao lado, avaliando a mulher diante delas.
Era a mesma mulher que, poucos dias antes, tinha invadido o saguão e xingado o Sr. Salazar de tudo quanto era nome. E agora...
Aquelas sacolas todas pareciam de marcas de luxo e, para surpresa delas, a mulher falava com uma educação impecável, bem diferente da grosseria da última vez.
Será que ela não aguentou mais ser esmagada pelo Sr. Salazar no mercado e veio pedir misericórdia?
De qualquer forma, as recepcionistas não ousavam destratá-la. Afinal, poucas pessoas teriam coragem de xingar o Sr. Salazar daquele jeito em público.
Depois de desligar o telefone, a recepcionista disse com polidez:
— Sra. Duarte, pode subir pelo elevador número dois.
— Certo, Sra. Duarte. Chegamos. O Sr. Salazar está lá dentro. A senhora pode entrar direto. Vou preparar seu café.
Marcos parou diante da porta do escritório de Alípio, trocou mais algumas palavras e se afastou.
Zenobia engoliu em seco. Com a mão em punho, hesitou algumas vezes no ar antes de finalmente bater.
Só quando ouviu um gélido “Entre” vindo de dentro é que abriu a porta e entrou.
Sem saber muito bem o que dizer, Zenobia caminhou direto até a mesa de centro para colocar as sacolas de presente. Em seguida, foi a passos rápidos até a mesa de Alípio.
Com movimentos ágeis, tirou da bolsa os cartões bancários e uma pilha de documentos, deixando tudo cuidadosamente sobre a mesa. Criou coragem por um bom tempo, mas as palavras de imensa gratidão simplesmente não saíam.
Zenobia lançou um olhar furtivo para Alípio. Desde que ela entrara, ele não parava de digitar no teclado. Por um segundo, ela até duvidou que a voz dizendo “Entre” tivesse sido mesmo dele.
— Cof...
Zenobia tossiu, tentando quebrar o silêncio constrangedor.
Alípio parou de digitar lentamente, mas continuou com os olhos fixos na tela do computador. Então perguntou, com frieza:

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