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Acusada de Traição, Volto com Três Filhos romance Capítulo 51

No entanto, Alípio não demonstrou tal expressão; apenas caminhou apressadamente em direção a ela e perguntou com grande preocupação:

— O que aconteceu? A comida de agora há pouco não lhe caiu bem? Você nunca me ouve e vive comendo besteiras na rua.

A falsa preocupação de Alípio, aos olhos de Ema, parecia tão realista e impecável quanto antes.

Aproveitando que a figura alta de Alípio bloqueava a visão de Diogo, Ema lançou-lhe um olhar fulminante.

Em troca, recebeu apenas um sorriso carregado de sarcasmo e zombaria de Alípio.

Ao ver aquela expressão no rosto dele, o coração de Ema foi novamente tomado por uma onda de tristeza.

Ela estava cansada. Se não fosse pelo avô, por que se daria ao trabalho de atuar nessa farsa?

Se não fosse pelo avô, por que suportaria tal humilhação?

Será que não existia outra maneira de cuidar das emoções do avô?

Seria ela obrigada a permanecer presa ao lado de Alípio, tendo sua fraqueza explorada, apenas para servir de passatempo para ele?

Mesmo com tantos pensamentos, Ema conteve a repulsa em seu coração e suavizou a voz:

— Alípio, eu estou bem.

Ao terminar a frase, Ema caminhou naturalmente em direção a Diogo:

— Vovô, da última vez que estive aqui foi justamente por causa do estômago ruim. Fiz uma reeducação alimentar por um bom tempo e funcionou. Hoje, a culpa foi minha por ser gulosa; comi algo que não caiu bem e a náusea voltou. De agora em diante, serei obediente e não comerei bobagens.

O canto da boca de Diogo mantinha um sorriso indecifrável, o que deixou Ema em pânico por dentro.

Se a gravidez fosse exposta, ela realmente não sabia o que enfrentaria nos dias vindouros.

Alípio não podia saber, e muito menos Diogo.

Um certamente não iria querer a criança, enquanto o outro certamente a obrigaria a ter o bebê e a manteria presa ali.

Chegaria o momento de uma disputa dolorosa, e talvez ela tivesse que se sacrificar pela criança.

Ela não poderia se sujeitar a viver como uma esposa de fachada, criando filhos em casa e fechando os olhos para as amantes do marido lá fora.

— Que bom que não é nada grave. Vocês jovens comem em horários errados e são gulosos, precisam se cuidar mais. Senão, como seu corpo vai aguentar quando você engravidar?

Enquanto falava, Diogo não deixou de lançar um olhar para o abdômen de Ema.

Ema percebeu o olhar dele e mudou de assunto rapidamente:

— Vovô, descanse um pouco. Vou sair para comprar uns doces para você. Volto em cerca de uma hora, está bem?

Diogo assentiu vigorosamente. Dessa vez foi estranho: ele não ordenou que Alípio fosse, nem que mandasse alguém comprar.

Ema levantou-se desconfiada, permaneceu em silêncio por alguns segundos e deixou o quarto.

Assim que Ema saiu, Diogo mandou Alípio verificar na porta se ela já tinha ido longe.

Alípio trocou um olhar com Marcos, que estava do lado de fora, e este sinalizou que Ema já havia partido.

— Fale a verdade, o que está acontecendo entre você e a Ema? Você sabe o quanto ela era carinhosa comigo. Antes de eu ser internado, não passava um dia sem que ela me visitasse ou me levasse para passear. E agora? Estou doente, internado, e quantas vezes ela veio? Se não há problemas entre vocês, o que mais seria?

Questionado dessa forma, a testa de Alípio relaxou ligeiramente, mas ele continuou escondendo o jogo, respondendo com calma:

— Ela se matriculou em um curso de fotografia e está estudando muito. Veja, hoje é folga dela e ela veio correndo te ver, até foi comprar doces para você. Que problema poderíamos ter?

Vendo que Alípio não cedia, Diogo suspirou e balançou a cabeça:

— Tudo bem, vou acreditar em você por enquanto. Mas não me deixe descobrir que você a trata mal. No passado, ela não apenas salvou minha vida, eu...

Diogo interrompeu a frase, olhou para Alípio com uma expressão complexa e, após um longo tempo, falou novamente:

— Alípio, me escute. Conviva bem com a Ema. Ela é uma boa garota, confie no gosto do seu avô.

Os cantos da boca de Alípio se moveram. Ele hesitou, mas acabou dizendo com seriedade:

— Vovô... E se a Ema não for tão boa quanto você pensa? E se o coração dela não estiver em mim...

— Besteira! Se o coração da Ema não está em você, estaria em quem? Você deixou todos os seus neurônios na empresa? Pensa um pouco em como a Ema te trata?

Alípio tentou falar, mas Diogo o interrompeu severamente.

Naquele momento, Alípio baixou a cabeça, calado como uma pedra.

Vendo-o daquela maneira, a raiva de Diogo aumentou e ele questionou em tom de reprimenda:

— Diga-me, depois que ela se casou com você, bastou você dizer para ela não trabalhar fora que ela largou todo o equipamento de fotografia, não foi? Diga! Você disse que só aceitava um casamento secreto e a menina não protestou uma única vez, certo? Você não pensa? Que jovem garota não sonha com um casamento romântico e grandioso, conhecido por todos? E afinal, o que você deu a ela?

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