Na família Salazar, tudo indicava que era Diogo quem dava as cartas.
Na primeira vez em que Ema conheceu os pais de Alípio, eles não disseram nada contra, mas também não demonstraram alegria alguma.
A atmosfera daquele encontro parecia mais uma reunião de negócios...
Enquanto Ema rememorava, ouviu Alípio dizer novamente:
— Não gosto de rodeios. Meus pais acham que sua origem não está à altura da família Salazar, mas não tiveram escolha senão obedecer à decisão do meu avô. Por isso, a condição deles para aceitar esse casamento foi que ele fosse mantido em segredo. Fique tranquila, eu vou convencê-los.
Ema olhou para Alípio com uma expressão complexa.
A memória dele realmente tinha parado no momento anterior ao casamento?
De acordo com as lembranças dele, ele queria convencer os pais. Então por que, na época, o casamento continuou sendo secreto? Os pais dele não cederam?
Ema ponderou cuidadosamente cada palavra que ele havia dito desde que acordara.
Lá no fundo, começou a desconfiar de que ele estava fingindo amnésia para, assim, tentar explicar os detalhes do passado e apagar todas as mágoas que ela carregava no peito.
Mas a expressão e o tom de voz dele não pareciam fingimento... A cabeça de Ema era uma verdadeira confusão.
— Ema. — Alípio começou a falar lentamente. — Você ficou satisfeita com a mansão no Solar do Vale para ser nossa casa? É aquela que o vovô levou você para ver. Se não gostar, eu compro outra.
Os lábios de Ema se moveram algumas vezes, mas nenhum som saiu. Ele já lhe dissera aquilo no passado.
Só que Ema estava com a mente tão embaralhada que não queria mais ficar ali, nem acompanhar aquelas memórias dele reconstituindo o passado. Nada daquilo fazia mais sentido agora.
Ela respirou fundo algumas vezes, pegou o celular dele de forma direta, tocou na tela algumas vezes e disse:
— Sr. Salazar, você caiu da escada hoje e bateu a cabeça. Por favor, olhe com atenção para o ano das mensagens que o seu avô te mandou e confira também o ano atual.
Eram inúmeras mensagens, mas as respostas dele eram pouquíssimas.
A razão pela qual ele fingira amnésia ao acordar agora era porque, nos contatos recentes, Ema simplesmente não queria ouvi-lo se explicar.
Então, decidiu usar esse recurso para que ela soubesse qual tinha sido sua atitude no início, quando eles se conheceram.
Queria que ela entendesse que estava disposto a se casar com ela não apenas por obedecer ao arranjo do avô, mas porque sentia afeição por ela e queria tê-la como esposa.
Claro, não era apenas por uma foto. Mais tarde, ao conhecê-la pessoalmente, ele também passou a gostar muito dela.
Ao ver a expressão complexa dela há pouco, pensou que aquilo talvez pudesse ajudar na reconquista no futuro...
Enquanto Alípio estava sentado refletindo, Marcos voltou apressado, bateu à porta e entrou no quarto:
— Como estão as coisas, Sr. Salazar?

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