Dito isso, Henrique saiu em disparada do estúdio.
Ema lançou um olhar furioso para Alípio e também saiu.
Assim que chegou ao estacionamento em frente ao estúdio e entrou no carro, Alípio a seguiu e se sentou no banco do passageiro.
Ema olhou para ele, sentindo uma frustração impossível de descrever. De repente, teve uma ideia: pegou o celular da bolsa, passou por algumas fotos e estendeu o aparelho na direção dele:
— Olha só, meus filhos! Então pare de sonhar.
Para sua surpresa, Alípio observou a tela por alguns segundos e disse:
— Nesses anos dos quais eu não me lembro, nós já tivemos filhos? E trigêmeos? Hmm... todos se parecem muito comigo quando eu era criança. Gostei bastante.
Ema ficou boquiaberta.
Ela arrancou o celular da mão dele e gritou, ríspida:
— Não são seus! Desça do carro!
Alípio não se moveu. Em vez disso, falou num ritmo calmo:
— Qualquer um que olhe vai dizer que essas crianças são minhas. O que foi que eu fiz nesses últimos anos para deixá-la tão brava a ponto de você não querer mais falar comigo?
Ema já estava perdendo a paciência. Encostou a cabeça no banco, fechou os olhos por um momento para se acalmar e, então, disse friamente:
— Alípio, vou relevar isso porque você está com amnésia. Mas trabalhei o dia inteiro e estou exausta. Por favor, saia do meu carro.
Depois de dizer isso, Ema se inclinou sobre o console e empurrou a porta do lado do passageiro, ao lado dele.
Ele franziu levemente a testa e respondeu com suavidade:
— Então volte para casa e descanse. Eu venho te procurar outro dia.
Ema ergueu a xícara com calma, segurou-a diante de Henrique e, como se não tivesse ouvido o que ele disse, mudou de assunto diretamente:
— Sr. Sousa, o dia da inauguração foi uma loucura e eu não consegui conversar direito com você. Então, levanto esta xícara no lugar de uma taça de vinho para agradecer formalmente por tudo o que você fez pela Zenobia.
Ema virou o chá de uma vez, como se estivesse tomando uma dose. Em seguida, tirou um cartão da bolsa e o colocou delicadamente sobre a mesa:
— Quando eu te perguntei quanto você tinha gastado acionando seus contatos para ajudar, você não quis me dizer. Pegue isto, foi a Zenobia que mandou. Liguei para ela agora há pouco, mas ela não conseguiria chegar a tempo. Disse que vai te agradecer pessoalmente outro dia.
Henrique olhou para o cartão com indiferença, pegou a xícara da mesa e virou o chá de um gole só. Depois de beber, apertou a xícara com força nas mãos e ficou olhando para a mesa com uma expressão enigmática, sem dizer nada.
Ema sabia exatamente o que estava passando pela cabeça dele. Tendo chegado àquele ponto...
Henrique tinha se empenhado bastante no caso de Zenobia. Deixando de lado como ela pagaria esse favor no futuro, no momento, Ema lhe devia as respostas que ele tanto queria.
Afinal, Henrique não era o crápula que ela tinha imaginado no início. Além de ter ajudado Zenobia, ele sempre a tratara com muito respeito.

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