Marcos balançou a cabeça e disse:
— A polícia não está deixando ninguém entrar, e a esposa dele sumiu. Vou ter que voltar à tarde.
Ema franziu a testa e perguntou:
— Você veio negociar uma indenização ou eles já entraram com o processo?
Marcos respondeu:
— Não vim falar de indenização. O Sr. Salazar deixou claro que não vai dar um centavo a ele. Na verdade... para ser sincero, eu fui encarregado de vir aqui para ameaçá-lo.
Ema ficou em silêncio por um momento.
Por dentro, soltou uma risada. Típico de Alípio... espancar alguém daquele jeito e depois ainda mandar ameaçar na porta do hospital. Bem, esse sempre foi o estilo dele.
Mas Ema se lembrou de repente de que seu próprio objetivo ao ir até ali também tinha sido ameaçar Edson, e isso a deixou levemente constrangida.
Enquanto seus pensamentos vagavam, Marcos continuou:
— Se fosse por qualquer outro motivo, o Sr. Salazar pagaria as despesas médicas e uma indenização por danos morais. Mas ele desrespeitou a senhora, e o Sr. Salazar não vai perdoá-lo por isso. Mesmo que não tenha conseguido fazer nada, o Sr. Salazar não vai dar um único centavo a ele.
Ao ouvir isso, Ema começou a avaliar a situação. Se Alípio se recusasse a pagar qualquer quantia, como ela explicaria isso para Cláudia?
Sinceramente, Ema não sentia a menor pena do estado deplorável em que Edson havia ficado. Ele merecia tudo, pelo mal que causou.
Mas quanto a Cláudia...
Cláudia havia lhe dado o sobrenome da Sra. Azevedo, e isso certamente facilitaria muito as buscas. Se, graças a essa pista, Ema encontrasse seus pais biológicos, Cláudia seria sua grande benfeitora.
Quando Edson fosse levado pela polícia e a empresa fechasse, Cláudia ficaria sem nada. Só por essa pista, Ema já tinha motivos para ajudá-la.
No entanto, se chegasse a Alípio naquele momento e pedisse que ele desse dois milhões e quinhentos mil para Cláudia, o que ele pensaria dela?


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