— Nesse mercadinho não tinha a marca que você costumava usar, então comprei algumas opções para você escolher. Também trouxe lenços de papel e lenços umedecidos.
Alípio se inclinou para dentro do carro, remexendo nas sacolas e explicando item por item:
— Perguntei lá, e não tem banheiro público por aqui. O mercadinho é pequeno, mas pelo menos tinha roupa confortável e roupa íntima. Você pode se trocar no carro mesmo. Aqui tem uma sacola vazia para colocar a roupa suja, e esta outra é para o lixo...
Ema: “...”
Na memória dela, Alípio nunca tinha falado tanto de uma vez só — muito menos sobre coisas tão banais.
Ele até se lembrava da marca de absorvente que ela usava? Desde quando prestava atenção nesse tipo de detalhe?
E até as cólicas menstruais dela... algo que, em tese, só Isabel sabia... como ele descobriu?
As três sacolas continham exatamente tudo de que ela precisava naquele momento. Quando foi que ele tinha se tornado um homem tão cuidadoso?
Enquanto Ema ainda estava atordoada, Alípio já havia voltado para o banco do motorista. Ele fechou todas as cortininhas das janelas e disse:
— Quando terminar de se trocar, é só dar uma batidinha no vidro.
Dito isso, saiu do carro novamente.
Ema olhou para o carro completamente isolado pelas cortinas, mas o constrangimento dentro dela não diminuiu nem um pouco.
Ela realmente teria que tirar a calça ali... se trocar ali...
Mas, afinal, estavam num trecho afastado da estrada. Já era muita sorte terem encontrado um mercadinho. Na prática, não havia outra opção.
Ema abriu uma frestinha da cortina ao lado. Alípio estava parado a uma curta distância, fumando. Sua postura continuava tão marcante quanto anos antes — na verdade, agora ele tinha até mais charme, com o peso maduro da idade.
Ela soltou a cortina devagar e começou a se trocar. No entanto, por algum motivo, a lembrança do encontro com Dália no parque de diversões surgiu de repente na sua cabeça.
Dália o chamava de Alípio com tanta intimidade... algo que nem a própria Ema fazia com frequência no passado.
Mas, assim que esse pensamento surgiu, Ema balançou a cabeça, sentindo-se tola. Por que estava pensando nisso agora?
Sua barriga estava mesmo doendo. Sempre era assim: enquanto ela não via o sangue, parecia que não sentia nada. Mas bastava perceber que a menstruação tinha chegado para as cólicas começarem de imediato. Era quase automático.
Ema pegou o copo devagar e disse em voz bem baixa:
— Muito obrigada...
Segurando o copo, Ema voltou para o carro. Quando Alípio também entrou e ela terminou de beber o chá, disse:
— Desculpa por ter sujado o seu carro. Amanhã eu mando lavar.
Alípio lançou-lhe um olhar pelo retrovisor:
— Ema, eu sei que você ainda não está pronta para me aceitar... mas não poderia, pelo menos, me tratar como trata a Zenobia e os outros?
Ema não soube o que responder. Aquele dia inteiro tinha sido, no mínimo, absurdo demais para caber em palavras.
Ela só queria ter saído para comprar algumas coisas e, no fim... acabou cruzando com ele e ainda sendo salva por ele. Que situação ridícula.

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