— Sem-vergonha! — Ema o repreendeu, furiosa, ainda presa nos braços dele.
Mas Alípio apenas ergueu o canto dos lábios e disse:
— Deitada nos meus braços e me xingando... até parece que a gente está flertando. Eu adoro isso.
— Você...
— Estou aqui. Vou estar sempre aqui, toda vez que você me chamar. Dorme. Você dorme melhor nos meus braços. Eu só vou embora depois que você pegar no sono.
Depois de dizer isso, sem se importar com a expressão de Ema, ele roçou de leve o queixo no topo da cabeça dela e começou a acariciar suas costas, como se estivesse ninando uma criança.
Ema queria morder o ombro dele, mas estava imobilizada. Então baixou o olhar para o peito musculoso dele e cravou os dentes ali com toda a força.
Alípio soltou um sibilo de dor e murmurou com suavidade:
— Eu sei que você me odeia. De agora em diante, pode me morder todos os dias, até a sua raiva passar.
Ema: — ...
Até que ponto aquele miserável conseguia ser tão descarado?
Depois de mordê-lo com força, Ema o soltou e disse, em voz contida, mas severa:
— Me solta!
— Não solto!
— Me solta!
— Nem morto!
— ...
Por mais que Ema se debatesse e o xingasse, ele a mantinha firmemente abraçada, prendendo inclusive as pernas dela entre as suas.
— Se você não dormir, eu não vou embora. Posso esperar até de manhã para acordar com você e levar as crianças para a escola.
Ao ouvir isso, Ema ficou ainda mais sem palavras.

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