Dessa vez, foi Alípio quem não disse nada.
Seu olhar profundo pousou no rosto de Ema por um instante, antes de se desviar para longe. Em seguida, acendeu outro cigarro e começou a fumar com uma expressão fechada.
Ema curvou os lábios em um sorriso irônico e disse em tom de deboche:
— Vai querer o Bosque dos Ipês de volta? E os presentes caros da inauguração? E os outros gastos menores, também vai me cobrar? Mas, sinceramente, eu não quero devolver nada. Antes, a culpa era da minha própria ingenuidade por não dar valor ao dinheiro. Agora eu entendo que as pessoas são as menos confiáveis e que o dinheiro é a única coisa em que dá para confiar.
Depois de dizer isso, Ema tirou o casaco dos ombros e o pendurou na grade:
— Minha casa não fica longe daqui. Vou a pé. Tchau.
Assim que Ema deu o primeiro passo, Alípio prendeu o cigarro entre os lábios e agarrou o braço dela:
— Entra no carro. Não é seguro aqui. Eu te levo.
Em seguida, apagou o cigarro e a conduziu de volta para o veículo.
Durante todo o trajeto de volta, nenhum dos dois disse mais uma palavra.
....................
Ao meio-dia do dia seguinte.
Assim que Ema terminou o que estava fazendo e se sentou na cadeira do escritório, Hortensia apareceu e lhe entregou o celular:
— Ema, olha aqui o que a gente vai comer hoje. Eu faço o pedido.
Enquanto Ema escolhia, bateram à porta. Ela continuou olhando as opções de comida e respondeu:
— Pode entrar.
— Ema!
Uma voz alegre e clara ecoou. Ema levantou os olhos para ver.
Eram Marisa e Givaldo. Ele carregava duas bolsas térmicas nas mãos.
Ema se levantou depressa:
— Mãe, Givaldo, o que vocês estão fazendo aqui?
Durante a refeição, Ema enxugou lágrimas discretamente várias vezes, o que não passou despercebido por Givaldo.
Ele não parava de colocar comida no prato de Ema enquanto falava de alguns planos para um passeio em família.
A tristeza que vinha acompanhando Ema desde a noite anterior se aliviou bastante.
Depois do almoço, Marisa e Givaldo decidiram ficar ali sentados até a hora de Ema voltar ao trabalho.
Hortensia serviu bebidas para eles e, em seguida, fechou a porta.
Givaldo lançou um olhar significativo para Ema, e ela entendeu o recado. Ele queria que ela contasse à mãe sobre os filhos.
Ema tomou um pouco de café e começou a falar sobre sua vida depois da formatura, passando aos poucos pelo casamento e, depois, pelo divórcio.
No entanto, para evitar que Marisa ficasse triste com o que ela tinha vivido, Ema omitiu de propósito todo o sofrimento e a forma como Alípio a havia tratado no passado. Não contou nada disso.
Ao perceber que Ema não entraria nesses detalhes, Givaldo também permaneceu em silêncio.
Assim que terminaram de conversar sobre isso, Marisa manifestou o desejo de ver as crianças. Foi então que bateram à porta do escritório, com batidas rápidas e urgentes.

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