— Ema... foi você que me provocou.
Ignorando o último fio de razão que ainda lhe restava, Alípio aprofundou o beijo. O toque dos lábios dos dois fez com que ele perdesse completamente o controle.
.................
A temperatura do quarto parecia subir cada vez mais, e uma atmosfera carregada de desejo tomou conta de todo o ambiente.
— Ema, quem sou eu? — Alípio fez uma última tentativa de manter a sanidade e perguntou mais uma vez.
Perturbada pela voz dele, Ema apertou os olhos, mas continuava claramente fora de si.
Seus olhos, normalmente tão brilhantes, agora estavam enevoados e sonolentos, como se estivessem cobertos por uma fina camada de névoa...
Os cantos dos olhos se curvaram ligeiramente para cima e, de vez em quando, ela levava as costas da mão ao rosto para esfregá-los. Aquela visão destruiu de vez as últimas defesas de Alípio, principalmente pelo ar preguiçoso e ao mesmo tempo sedutor do olhar dela.
Que homem conseguiria resistir a isso?
Alípio se inclinou imediatamente e a beijou de verdade.
O beijo já não tinha mais nada de suave; vinha carregado de uma paixão reprimida por tempo demais, como se ele quisesse devorar cada pedaço dela.
Sua razão foi totalmente consumida pelas chamas...
E, desta vez, ele não a deixou escapar.
....................
Dor!
Não era só dor de cabeça; o corpo inteiro doía!
Sede!
Uma sede tão intensa que parecia rasgar sua garganta!
Quando Ema finalmente acordou, teve a sensação de ter apanhado. Abriu os olhos com enorme esforço, e a cena diante dela deixou sua mente completamente em branco.
Ela percebeu que estava agarrada a um homem como um polvo: os braços em volta do pescoço dele e as pernas enroscadas nas dele.
Ema: “...........”
O rosto de Ema começou a queimar tanto que ela achou que fosse explodir. Pelo visto, seria bem difícil cobrar satisfações daquele jeito.
Ela não podia continuar ali. Precisava sair daquela cama o mais rápido possível.
Ema recuperou um pouco da calma, prendeu a respiração e começou a empurrar os braços de Alípio com toda a força. O abraço afrouxou um pouco, mas ela ainda continuava presa.
Então Ema começou a se arrastar discretamente em direção aos pés da cama. Depois de fazer força, finalmente conseguiu se libertar. Puxou a toalha que estava na ponta do colchão, se enrolou nela e desceu da cama, pisando descalça com a leveza de um gato.
Olhou em volta, tentando encontrar suas roupas, mas não estavam em lugar nenhum. Para sua total mortificação, em vez das roupas, encontrou vários lenços de papel espalhados pelo tapete ao lado da cama...
Isso queria dizer... que tinha mesmo acontecido tudo entre eles?
Ema só queria que um buraco se abrisse no chão e a engolisse. Foi beber uma única vez, como aquilo tinha acabado daquele jeito?!
Seu coração martelava no peito, e seu rosto queimava em brasas. Por fim, ela fixou o olhar na porta do banheiro.

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