Hortênsia enxugou as lágrimas e continuou:
— O Sr. Amorim levou a caixa e até chamou a polícia. Ele queria descobrir a verdade antes de te contar, mas até agora não conseguiram encontrar o culpado, Ema...
Com a testa franzida, Ema colocou o boneco de volta na caixa e depois consolou Hortênsia com doçura:
— Não chora. Eu estou bem. Desculpa por você ter passado por esse susto por minha causa. Vou pegar o antisséptico pra você, espera aqui.
Ema voltou rápido com o antisséptico. Depois de limpar e cuidar dos ferimentos de Hortênsia, pegou a caixa e disse:
— Vou procurar meu irmão para saber se há alguma novidade. Vai pra casa mais cedo hoje.
— Tá bom, Ema. Daqui pra frente, presta mais atenção quando sair.
— Pode deixar.
Ema saiu e estava prestes a ligar para Givaldo, quando se lembrou de que ele comentara no telefone, no dia anterior, que o estúdio estava tranquilo e que passaria o dia em casa com Marisa.
Então decidiu não ligar e dirigiu diretamente para a mansão da família Amorim.
Ao entrar no jardim, ouviu sons de choro vindos da sala de estar. Parecia muito a voz de Amanda.
— Amanda, quando você saiu da família Amorim e voltou para a família Ribeiro, nem eu nem nossos pais fomos injustos com você, fomos? Nós te demos uma casa e uma quantia muito boa em dinheiro. Mas você... você usou aquela polêmica na internet para atacar a Ema nos comentários. Nós abafamos o caso e nem fomos tão duros com você. E agora você ainda vai chorar na frente dos nossos avós? Eles já estão idosos; como podem aguentar esse tipo de estresse? Agora os dois estão internados, nossos pais estão no hospital cuidando deles, nossa mãe não para de chorar. O que mais você quer da gente?
Ao ouvir isso, Amanda chorou ainda mais:
— Eu só estava com muita saudade de vocês! Como todo mundo vivia dizendo que estava ocupado, fui ver o vovô e a vovó. A culpa é toda minha, tá bom pra você? Mesmo depois de crescer junto com vocês todos esses anos, o nosso afeto não vale nada diante dos laços de sangue. Vocês deram para a Ema todo o amor que era meu. De um dia para o outro, eu não tenho mais nada! Alguma vez vocês pararam para pensar no quanto eu sofro? No quanto isso dói?
Vendo Amanda chorar até quase perder o fôlego, Carina tentava acalmá-la enquanto repreendia Givaldo:
— Givaldo, os avós não suportaram o baque e, por causa da idade, foram parar no hospital. Mas você não pode tratar a Amanda assim. Sair de casa de repente certamente foi muito difícil para ela, e, se ela veio procurar vocês, foi porque estava morrendo de saudade. Deixa ela ficar aqui por um tempo. Quando as emoções se acalmarem, ela vai embora naturalmente. Além disso, a Ema já tem a própria casa e nunca disse que queria voltar a morar aqui. Por que você está complicando as coisas?

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