O engenheiro assentiu várias vezes e correu até as equipes de resgate.
Ao lado dele, um especialista em geologia enxugou o suor da testa:
— E a situação geológica é extremamente complexa. Há uma mistura de terra, rocha e areia movediça. O equipamento de escavação mal encosta numa camada de rocha dura e logo afunda na areia. O avanço está terrivelmente lento.
Enquanto isso, os integrantes da equipe de resgate trabalhavam sem parar sobre os escombros, com as costas encharcadas de suor.
— Capitão, o sistema de ventilação quebrou. O ar dentro do túnel está cada vez pior, o pessoal não vai aguentar assim por muito tempo — relatou um dos membros da equipe, ofegante.
O capitão cerrou os dentes.
— Mandem primeiro os equipamentos portáteis de oxigênio lá para dentro e organizem o revezamento da equipe para descanso.
Marcos, que já havia chegado ao local, procurou o capitão em desespero, tentando de todas as formas exigir que Alípio fosse resgatado a qualquer custo.
O capitão estava sob uma pressão esmagadora, e a tensão marcava seu rosto.
Observando de longe, Givaldo se surpreendeu ao avistar Marcos.
Ele acenou com força e, pouco depois, Marcos correu até a frente do carro dele.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou Givaldo, confuso.
Achando que, depois de três dias, já não havia mais o que esconder, Marcos respondeu diretamente:
— Sr. Amorim, o Sr. Salazar está com a Sra. Pacheco.
Givaldo franziu a testa, e Marcos logo explicou:
— Quando soube que a Sra. Pacheco iria para o Vale Tropical, ele provavelmente achou que teria uma chance de ficar a sós com ela, então foi dirigindo atrás dela o tempo todo.
Marcos fez uma pausa e disse com tristeza:
— Sr. Amorim... o resgate está enfrentando dificuldades enormes...
Ele não teve coragem de terminar a frase, mas sabia que Givaldo entenderia.
Como esperado, a expressão de Givaldo se fechou. Ele andou de um lado para o outro, impaciente, e depois disse com a voz embargada:
— Se você precisar avisar a família dele, avise. Eu quero esperar mais um pouco.
Marcos assentiu.
O longo período de confinamento num espaço tão apertado, somado ao fato de passarem quase todo o tempo na escuridão total, começava a cobrar seu preço.
Ema passou a sentir aperto no peito, palpitações e uma ansiedade intensa.
O pior era não ter para onde ir. Até para urinar, tinham que se virar com constrangimento perto do compartimento da porta, naquele espaço minúsculo, e um cheiro desagradável já começava a tomar conta do ar.
O carro não ligava mais, e ninguém sabia por quanto tempo a pouca bateria restante dos dois celulares ainda duraria.
Com o coração apertado, Alípio acomodou Ema nos braços para consolá-la:
— Ema, aguenta firme. Acredita em mim, nós vamos sair daqui muito em breve.
Ema olhou para ele, debilitada, e perguntou num tom melancólico:
— Você se arrepende de ter vindo atrás de mim? Se não fosse por minha causa, você não precisaria estar passando por isso. Se não fosse por mim, provavelmente estaria deitado numa cama confortável, comendo uma comida boa...
Ao fim da frase, a voz de Ema falhou, engolida pelos soluços.
Alípio beijou de leve o centro da testa dela e disse com a voz rouca:

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