Era Amara, funcionária da família Amorim.
Ema respondeu com educação:
— Muito obrigada pelo trabalho, Amara.
Logo depois, Ema perguntou:
— Por que a minha mãe e o meu irmão não vieram?
Amara colocou a lancheira sobre a mesa de centro, evitando olhar diretamente para Ema, e respondeu em voz baixa:
— Eles disseram que tinham alguns assuntos para resolver e que viriam mais tarde. Com medo de que a senhora ficasse com fome, pediram que eu trouxesse o café.
Ema olhou para a lancheira, franziu a testa e perguntou:
— Que assuntos?
Amara abaixou a cabeça, esfregando as mãos uma na outra com nervosismo:
— Eu... eu não sei direito.
Ema ergueu os olhos, percebeu o desconforto de Amara, mas não pensou muito a respeito. Então disse gentilmente:
— Amara, você já tomou café? Senta e come comigo.
Amara acenou apressadamente com as mãos:
— Já comi, já comi sim.
No entanto, os pequenos gestos nervosos de Amara não passaram despercebidos por Alípio. Ele a observou com os olhos semicerrados, mas permaneceu em silêncio.
Depois de mais algumas palavras de cortesia, Amara saiu do quarto.
Alípio se levantou e disse:
— Vai comendo. Vou voltar ao meu quarto para pegar o celular.
Sem esperar a resposta de Ema, Alípio saiu em passos largos em direção à porta.
Ao alcançar Amara no corredor, ele bloqueou seu caminho e disse com firmeza:
Assustada com o tom repentinamente agressivo, Amara tremeu inteira e se apressou em explicar:
— Foi a antiga filha da casa, a Amanda. Ela... ela voltou à mansão da família Amorim ontem à noite, dizendo que precisava buscar algumas coisas. Quando descia a escada, pisou no ioiô das crianças e rolou escada abaixo, fraturando o braço. Ela... ela disse que a Érica jogou o ioiô de propósito no pé dela e passou um bom tempo apontando o dedo e gritando com a menina.
A imagem de Érica chorando, soluçando, surgiu na hora na mente de Alípio. Com a testa franzida, ele perguntou friamente:
— O que a Érica disse? E onde estavam os outros da família Amorim nessa hora?!
Amara continuou:
— Eu fui a primeira a ouvir o barulho e correr até lá. Logo depois, o patrão, a patroa e o senhor Givaldo apareceram. A Érica estava no segundo andar, chorando e dizendo que não tinha feito de propósito. Ela explicou que estava brincando, a cordinha escapou da mão dela e o ioiô saiu rolando, parando justo no pé da Amanda, que estava descendo a escada. Como a Amanda gritava de dor, ninguém da família culpou a Érica na hora; todos correram para levar a Amanda ao hospital. Fui eu que fiquei consolando a Érica. Os dois irmãos mais velhos, vendo a irmã chorar daquele jeito, também começaram a chorar. Foi isso que aconteceu.
— A Érica nunca faria uma maldade dessas! — Assim que Amara terminou de falar, a voz alterada de Ema soou de repente no corredor. — Amara, a Érica sempre foi uma menina doce e bondosa. Ela jamais machucaria a Amanda de propósito!
O surgimento repentino de Ema pegou os dois de surpresa.
Com a voz embargada, Amara respondeu:
— Menina Ema, eu também acho que a criança não estava mentindo. Foi só um acidente. Mais tarde, o senhor Givaldo voltou correndo do hospital e não brigou com ela, só a consolou bastante. A culpa foi toda minha. Eu tinha descido para preparar umas frutas para as crianças e não estava por perto para evitar isso. Meu coração também está apertado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Acusada de Traição, Volto com Três Filhos