— Ema, por que você voltou de repente? Seu corpo ainda não se recuperou, você não pode fazer isso.
Givaldo largou as frutas e correu para pegar as crianças no colo.
Os pequenos foram levados até o sofá, e Ema os seguiu.
Ema foi direto ao ponto:
— Givaldo, eu já sei de tudo o que aconteceu ontem à noite.
Givaldo suspirou:
— Eu pretendia ir ao hospital conversar com você enquanto eles tiravam a soneca da tarde. Pelo visto, a Amara já te contou. Senta primeiro.
Depois disso, Givaldo olhou para Alípio:
— Você também pode se sentar. Quer beber alguma coisa?
Alípio manteve o rosto frio e inexpressivo:
— Não estou com sede.
Givaldo ficou sem palavras.
Depois que todos se sentaram, Ema colocou as três crianças em fila e disse em tom severo:
— Vocês três, começando pela Érica, vão contar para a mamãe exatamente o que aconteceu ontem à noite. Não quero ouvir nem uma mentirinha, entenderam?
Os três pequenos assentiram várias vezes com a cabeça.
Érica enxugou as lágrimas e começou a falar:
— Eu e meus irmãos estávamos brincando no quarto lá em cima. A vovó disse que ia descer para buscar umas coisas gostosas para a gente. Depois de um tempo, eu saí para ver se a vovó já estava voltando. Eu estava com o ioiô na mão, brincando e andando, mas de repente a cordinha escapou e ele saiu rolando. Foi parar na escada, e aquela senhora pisou nele e caiu lá embaixo... buááá...
Assim que terminou, Érica desabou num choro alto:
— Mamãe, aquela senhora disse que eu fiz de propósito. Ela até falou palavrões que a professora diz que não pode falar. Mamãe, eu não fiz de propósito! Ela não acreditou em mim. Será que o policial vai achar que eu sou uma criminosa e vai me prender? Se isso acontecer, nunca mais vou ver a mamãe!
Ema ficou paralisada por um momento. Por mais que tivesse trabalhado até a exaustão para criar os filhos sozinha, nunca os deixara passar por uma injustiça ou por um medo tão grande.
Três crianças, num ambiente que ainda lhes era estranho, sendo deixadas para trás daquela maneira, chorando e chamando pela mãe...
Ao imaginar a cena, Ema não conseguiu impedir que seus olhos se enchessem de lágrimas de angústia.
Ao ver isso, Alípio puxou os dois meninos para perto de si, sussurrando algumas palavras de consolo.
Enquanto isso, Givaldo olhava para Ema com uma expressão complexa, como se quisesse dizer algo, mas se contivesse.
Ema tentou se acalmar. Consolou Érica por mais um tempo e disse às crianças:
— Se comportem, tá bom? Vão brincar um pouquinho no quintal com a Amara. A mamãe precisa conversar com o tio Givaldo.
Depois que Amara levou as crianças para fora, Ema se virou lentamente para Givaldo:
— Givaldo, por mais que a Érica não tenha feito de propósito, ainda assim foi o brinquedo dela que fez a Amanda cair. Eu vou arcar com as despesas médicas dela. Mas, além disso...

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