Instantes depois, Ema entrou na sala de espera:
— Olá, senhora. Eu sou a Vitra, é um prazer atendê-la.
Natália ergueu o olhar para avaliar Ema, ainda mantendo sua postura arrogante.
Ela estreitou ligeiramente os olhos e ergueu os cantos dos lábios, revelando um toque de sarcasmo quase imperceptível.
Ema estava usando uma camisa branca simples e calça social preta naquele dia, com o cabelo preso casualmente para trás. Parecia mesmo uma estagiária que tinha acabado de começar a trabalhar.
Aos olhos de Natália, aquelas roupas eram apenas comuns e sem graça. A camisa não parecia ser de nenhuma marca famosa, e ela não usava joia alguma. Uma mulher tão sem sal... não era à toa que Glória não a suportava.
No entanto, aquele rosto era excepcionalmente bonito e luminoso, o que fez Natália ranger os dentes de inveja.
Natália cruzou os braços sobre o peito, recostou-se no sofá e riu friamente:
— Então você é a famosa fotógrafa Vitra? Não parece grande coisa.
Ema continuou com um leve sorriso no rosto e respondeu sem pressa:
— Olá, sou a Vitra. Se a senhora veio até aqui, imagino que tenha sido por causa da minha reputação.
Natália franziu os lábios em desdém, ergueu o queixo, começou a tamborilar os dedos no braço do sofá e disse:
— O efeito que eu quero... não sei se uma fotógrafa tão famosa como você vai conseguir alcançar. Porque as minhas sessões anteriores de fotografia artística sempre foram feitas por fotógrafos estrangeiros muito renomados.
O olhar de Ema pousou calmamente sobre Natália, e ela respondeu com tranquilidade:
— A senhora pode me explicar em detalhes o tipo de efeito e o estilo que procura. No entanto, a fotografia é um processo criativo. Precisamos da colaboração das duas partes para chegar ao resultado que a senhora deseja.
Natália soltou uma risada fria e se levantou. Começou a andar de um lado para o outro na sala, com os saltos ecoando nitidamente pelo chão.
Lançando um olhar de esguelha para Ema, disparou:
Logo depois, Natália deslizou o dedo pela tela, mostrando a foto seguinte. Estavam em um restaurante, e Alípio aparecia sentado à mesa, bebendo café.
Havia ainda outra foto: Alípio e a mulher à sua frente estavam sentados um diante do outro. A forma como a mulher o olhava lembrava muito o mesmo olhar que Helena Ribeiro costumava lançar.
No canto da foto, também aparecia o horário. Não era do almoço de hoje?!
Alípio...
Ele tinha mandado mensagem pela manhã dizendo que viria almoçar com ela. Como Ema não respondeu, ele simplesmente foi procurar outra mulher para lhe fazer companhia?
As mãos de Ema se fecharam em punhos de forma inconsciente, mas sua expressão permaneceu perfeitamente calma.
Natália percebeu a mudança sutil em Ema e sentiu-se secretamente satisfeita.
Além das fotos que ela mesma havia tirado escondida, Glória também tinha tirado algumas às escondidas e enviado para ela. Ela não tinha como agir diretamente sobre Alípio, mas podia manipular Ema. Uma mulher teimosa, rígida e de convicções firmes era muito mais fácil de provocar.

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