— Ótimo. — Amanda colocou a sacola que segurava de volta sobre o balcão. — Fique com isso, como agradecimento.
— A filha da família Amorim é sempre muito generosa. Indique mais amigas na próxima vez! — O Gerente Barros pegou o broche de lírio com um sorriso de pura satisfação.
Os músculos do rosto de Amanda se contraíram levemente. Ela forçou um sorriso amarelo para disfarçar diante do Gerente Barros, virou as costas e saiu dali com a expressão completamente sombria.
Caminhava a passos apressados, pisando duro, como se cada passo fosse uma maneira de descarregar a fúria que sentia.
Por dentro, era um caos, uma pressão sufocante prestes a explodir.
“Filha da família Amorim, uma ova!”, ela gritava mentalmente, tomada de ódio.
Ao se lembrar da situação em que estava, seu semblante escureceu ainda mais.
Ela acreditou que passaria o resto da vida sendo bajulada, desfrutando de uma vida de luxo e fartura, como a “princesa” que todos invejavam.
Mas a realidade lhe deu um golpe brutal. Todo o luxo e prestígio haviam sido roubados por aquela desgraçada da Ema.
Ah, que tipo de dondoca Amanda achava que ainda era agora?
A casa que a família Amorim lhe deu ficava num bairro afastado e, com a queda recente do mercado imobiliário, já não valia quase nada.
O cartão de crédito que lhe entregaram tinha um limite que, para ela, parecia esmola. Acostumada a gastar rios de dinheiro, aquele valor não duraria nem uma semana em suas mãos.
Ela ainda tinha esperança de receber um bom apoio financeiro da família Ribeiro, mas, para sua surpresa, outra filha adotiva tinha fugido com boa parte do dinheiro deles.
Só de pensar nisso, Amanda rangia os dentes de ódio, sentindo-se a pessoa mais azarada do universo.
Amaldiçoou mentalmente a outra filha adotiva diversas vezes, convencida de que sua vida só tinha afundado por culpa daquelas duas parasitas.
Antes, levava uma vida que fazia todos morrerem de inveja. Agora, não era ninguém. O que tinha feito para merecer aquilo?
Será que o assunto não tinha ganhado repercussão? Ou Benício realmente tinha conseguido abafar o caso?
Ema franziu a testa, em dúvida, e soltou um leve suspiro. Ao mesmo tempo, já tinha traçado um plano.
Se a matéria fosse publicada, ela esclareceria imediatamente que já estava divorciada de Alípio, evitando assim se tornar alvo de atenção mais uma vez.
Ao pensar nisso, não pôde deixar de se lembrar da conversa que teve com Alípio no dia anterior.
Ele parecia nunca ter sido tão direto e ainda tinha oferecido uma compensação pelo fim do casamento.
Aparentemente, ele também estava cansado de tudo aquilo e queria ficar livre para começar um novo relacionamento.
Isso era excelente. Finalmente, os dias de paz com os quais ela tanto sonhava poderiam começar de verdade.

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