Alípio franziu o cenho, inclinou-se para a frente e perguntou em tom sério:
— Pelo bem das crianças, seja sincera comigo. Trataram vocês com frieza?
A mão de Ema, que estava prestes a levar a garrafa à boca, parou por um instante. Logo depois, ela respondeu com indiferença:
— Não diria que foi frieza. Eles só preferem Amanda.
— Se você não gosta, não precisa mais ir. O fato de não terem te criado já é uma grande falha deles. Você não deve absolutamente nada a essa família. — A expressão de Alípio escureceu, e sua voz ficou alguns tons mais fria.
Ema ficou em silêncio. Sabia que aquela irritação de Alípio era direcionada à família Amorim, mas, no fundo, era exatamente assim que ela também se sentia.
Se, ao reencontrar a família biológica, ela não sentisse o calor humano que imaginava, ainda assim podia seguir a vida e lidar com isso de forma madura.
No passado, quando sofria bullying e lidava com desprezo, ela era apenas uma criança e não tinha como se defender.
Mas agora...
O fio dos pensamentos de Ema foi cortado pelo toque repentino do celular.
Ela pegou o aparelho e viu que era Givaldo. Ema lançou um olhar para Alípio, que ainda não dava sinais de querer ir embora, e deslizou o dedo na tela para atender:
— Mano.
— Ema... — Do outro lado da linha, a voz de Givaldo soava extremamente abatida, como se ele estivesse segurando o choro.
— Mano, o que aconteceu? — Ema sentiu um aperto no coração, intuindo que algo grave tinha acontecido.
Givaldo ficou em silêncio por um momento e disse:
— Ema, a vovó foi internada no hospital.
Ema arregalou os olhos e perguntou rapidamente:
— O quê? Como assim? Ela estava ótima até agora há pouco!
Givaldo soltou um longo suspiro:
— Eu... eu estou do lado de fora da emergência. Não queria te ligar, mas... a nossa mãe foi muito humilhada e não para de chorar.
Ema se levantou num salto, tomada pela ansiedade:
— Eu... eu preciso ir ao hospital agora. Se você tiver algum compromisso, pode ir. As duas senhoras aqui em casa conseguem cuidar bem das crianças.
Dito isso, Ema caminhou em direção ao quarto, mas Alípio foi logo atrás dela:
— Me diz, o que aconteceu?
Ema massageou as têmporas, com o rosto abatido:
— Não é nada, eu consigo resolver isso. Vou me trocar.
Ela entrou no quarto e fechou a porta. Com a testa franzida, sua mente fervilhava num caos.
Pelo relato de Givaldo, a vovó tinha desmaiado de raiva por causa da estatueta de jade? Ou por causa da ligação? Mas quem teria ligado?
E, para a avó ficar tão furiosa a ponto de apontar o dedo e acusar Marisa... isso não era praticamente um ataque direto contra ela mesma?
A peça estava em perfeito estado. De onde teria surgido aquela rachadura?
Ema tinha incontáveis perguntas martelando em sua cabeça. Escolheu qualquer roupa adequada para sair, vestiu-se às pressas, pegou a bolsa e saiu do quarto.

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