Zenobia parou de andar e franziu a testa:
— É verdade, mas você pensou bem nisso? Se no futuro você acabar voltando para a família Salazar...
— Zenobia — Ema a interrompeu com um tom suave. — Vamos esquecer isso. Não quero ter nenhum envolvimento com ela. Mesmo que as crianças passem os finais de semana com a família Salazar no futuro, eu só vou deixá-las e buscá-las rapidinho, ou peço para o Alípio fazer isso. Enfim, quanto menos eu a vir, melhor.
— Tudo bem, desde que você tenha certeza. Vamos nessa.
Ema segurou Zenobia, que já estava prestes a dar um passo:
— Qual é a pressa? Você percebe quando estou escondendo algo, acha que eu não noto quando você está com a cabeça cheia de problemas?
Zenobia:
— ...
Ema abriu um sorriso malicioso:
— Desembucha. Somos melhores amigas, não temos segredos uma para a outra.
Zenobia deu um sorriso forçado:
— Ema, desde quando você ficou tão fofoqueira?
Ema ajeitou os cabelos com charme:
— Ah, deve ser a idade chegando.
— Ah, para com isso! — Zenobia deu um empurrãozinho nela, rindo e suspirando de frustração: — Eu conto, eu conto, mas vamos pegar o carro primeiro.
As duas seguiram em direção ao carro, rindo e brincando pelo caminho.
Enquanto isso, Benício as observava pela janela de vidro da cafeteria. À medida que as duas se afastavam, o seu olhar foi se tornando cada vez mais sombrio.
Ele pegou o celular lentamente e discou um número.
....................
Ao sair do restaurante, Glória não estava com a menor vontade de ir para casa. Depois de se despedir de Natália, ela foi direto para o escritório de Alípio.
Alípio passou o braço pelos ombros dela e brincou:
— Olha só, Dona Glória, a senhora é uma mulher tão culta, mas já reparou no que está fazendo? Só falta imprimir o meu currículo e sair distribuindo na praça.
— Pare de tentar me bajular! — Glória o empurrou, visivelmente contrariada. — Culta ou não, o meu papel principal é ser mãe, não é? O que a Natália tem de errado?
O olhar de Alípio perdeu um pouco do brilho:
— Me dê um pouco de tempo.
Ao ver a melancolia no rosto de Alípio, os olhos de Glória se encheram de lágrimas:
— Meu filho, o que a Ema tem de tão especial? Por que é tão difícil esquecê-la? Ouça o conselho da sua mãe, vocês não têm futuro juntos. Ela foi cruel e se escondeu de você por anos. Mesmo quando você estava naquele túnel, preferindo arriscar a própria vida para garantir que ela saísse sã e salva, o que ela fez? Ela por acaso deu valor a esse sacrifício?
Glória implorava com o coração na mão. Vendo que Alípio permanecia em silêncio, com uma expressão inabalável, ela continuou:
— Além disso, o seu avô gostava tanto dela, e nesses últimos anos ela o ignorou completamente! E tem também a Catarina! Tudo bem que aquela mulher não tratou a Ema da melhor forma, mas foi ela quem a criou e pagou os estudos dela. E quando a Catarina foi presa, a Ema não deu a mínima. Nem sequer foi visitá-la.

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