Fátima puxou a cadeira em frente à mesa de Ema e continuou:
— Depois que descobri que Catarina era a verdadeira mãe dela, comecei a rondar os arredores do presídio onde a Catarina está. Ontem, por uma grande coincidência, depois de ficar escondida por apenas meia hora, vi uma pessoa que se parecia muito com Helena. Corri até lá, arranquei o boné dela, e era mesmo ela. Ela emagreceu demais, acho que você nem a reconheceria à primeira vista. Quando ela percebeu que era eu, não demonstrou a menor culpa ou medo. Muito pelo contrário, ela me ameaçou.
Naquele momento, um assistente trouxe o café. Fátima esperou que a pessoa saísse e rapidamente voltou a falar:
— Fiquei chocada que ela teve a audácia de me ameaçar. No incidente passado, embora eu tenha levado a culpa, se o caso fosse reaberto, ela não escaparia. Mesmo que não fosse um crime grave, ficaria na ficha criminal dela, não é? Ema, acredite em mim, tudo aquilo foi ideia dela.
Ema tomou um gole do café, sem entrar no mérito daquela justificativa, e apenas respondeu de forma indiferente:
— Continue.
Fátima assentiu, com o rosto tomado pela preocupação:
— Fiquei na espreita porque não conseguia engolir essa injustiça. Eu tenho família para cuidar, então não me atrevo a fazer nada extremo contra ela. Minha intenção era arrastá-la para a delegacia e contar aos policiais cada detalhe do que aconteceu na última vez. Mas ela não só não teve medo, como me ameaçou dizendo que, se eu causasse mais problemas, mandaria alguém acabar comigo. Eu não desisti e comecei a discutir e puxá-la, mas no fim ela me disse que foi o Alípio quem a protegeu, e é por isso que ela está ilesa até hoje. Ela zombou dizendo que eu estava lutando contra forças muito maiores, que era melhor eu desistir e que eu merecia ter ido para a cadeia.
Ao ouvir aquilo, o semblante de Ema escureceu. Ela se levantou lentamente, apoiou as duas mãos sobre a mesa e fixou o olhar em Fátima:
— Você está dizendo que... o Alípio a protegeu?!
Com a garganta seca de tanto falar, Fátima tomou mais alguns goles de café antes de continuar:
— E mais, desde que saí e descobri que ela não tinha dado nenhum centavo para a minha mãe e tinha ignorado completamente a minha família, eu fiz um boletim de ocorrência e contei tudo à polícia. Eu não entendo muito de leis, mas acho que, se alguém denuncia, a polícia deveria pelo menos colocá-la como suspeita e ficar de olho, certo? Por exemplo, se ela usar o documento de identidade em algum lugar, a polícia não teria como rastreá-la? Já que ela sumiu por tanto tempo, será que o meu registro na delegacia foi apagado por alguém? Ou eles simplesmente não estão monitorando?
Ema permaneceu em silêncio por um longo tempo, e depois perguntou em um tom de voz baixo:
— No passado, quando você convivia com a Helena, como você avaliava o relacionamento entre os dois?

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