Assim que o casalzinho asqueroso entrou no quarto, Helena colocou um boné, uma máscara e óculos escuros. Totalmente disfarçada, ela saiu de casa.
Ultimamente, Fátima não tirava os olhos dela, então a sugestão de Natália não era de todo ruim.
Helena montou na moto estacionada no pátio e, sob o manto da noite, partiu direto para a casa de Fátima.
Sentada em sua sala, Fátima ainda estava com os nervos à flor da pele devido à visita de Zenobia na noite anterior. Ela sequer tinha cabeça para fazer sua transmissão ao vivo.
Ema havia desaparecido. Seria obra de Helena? E se o próximo alvo fosse ela?
De repente, batidas urgentes soaram na porta. Seu coração deu um salto e ela perguntou, em alerta:
— Quem é?
A voz de Helena abafada veio do outro lado:
— Sou eu.
Fátima empalideceu. Após hesitar por um instante, correu para trás da porta e perguntou com frieza:
— Como você tem a coragem de vir me procurar?! Eu vou chamar a polícia agora mesmo!
Sem um pingo de falsidade, Helena respondeu de forma calma:
— Fátima, abra a porta e me escute primeiro. Quando eu terminar, se ainda quiser chamar a polícia, ficarei sentada esperando os oficiais me levarem.
Fátima ponderou. Ela pegou uma chave inglesa na sapateira, escondeu-a nas costas e destrancou a porta lentamente.
Assim que a fresta se abriu, Helena invadiu o apartamento, segurando uma faca brilhante que foi direto para o pescoço de Fátima. O toque gelado da lâmina fez o coração dela disparar até a garganta. O susto foi tanto que a chave inglesa caiu com um baque no chão.
Fátima a encarou, apavorada:
— O... o que você quer?
Havia levado a pior por crimes de Helena e, no fim, foi deixada para trás. Aquilo era inaceitável.
O tom de Fátima carregava um profundo sarcasmo:
— É fácil falar agora, Helena. Você, toda-poderosa, sem saída? Se você tivesse o mínimo de decência, não teria me envolvido nisso e não teria usado a minha família para me chantagear. Já vou avisando, não vou mais cair na sua conversa.
Um lampejo de pânico cruzou os olhos de Helena. Ela não esperava que Fátima fosse tão irredutível. Tentou argumentar:
— Fátima, pense bem. O que você ganha se aliando a Ema? Não se esqueça de que você já bateu nela, já tentou prejudicá-la. Ema nunca vai te ajudar de verdade, ela só está te usando. Mas nós... nós já trabalhamos juntas. Eu posso te oferecer muito mais vantagens.
Fátima soltou uma risada seca:
— Você acha mesmo que vou acreditar em mais uma palavra sua, Helena? Você já me enganou uma vez. Não serei feita de idiota de novo.
Helena observou a postura inflexível de Fátima, confirmando exatamente o que já suspeitava.

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