— Relaxe, não fique tensa. — A voz de Henrique soou gentil e límpida. Ele guiou as mãos de Ema em um movimento suave, fazendo-a sentir o ritmo e a força da tacada. — Na hora de bater, preste atenção na rotação do corpo e na força dos braços.
Ema apressou-se em acalmar a mente, focando toda a sua atenção no taco, e desferiu uma bela tacada.
— Perfeito, é assim mesmo que se faz. — Henrique, com naturalidade, soltou as mãos de Ema e deu um passo para trás. — Agora tente você mesma.
Ema soltou um suspiro de alívio. Ela recuou um pouco, ergueu o taco e bateu novamente; para sua surpresa, a bola acertou o buraco.
Ela deu um sorriso radiante para ele:
— Obrigada, você é um ótimo professor, Henrique.
Ao ouvir isso, Zenobia, que observava de perto, fingiu estar ofendida:
— Ah, entendi, Ema! Então eu sou uma péssima professora, é isso?
— Não, que isso, os dois são ótimos! — Ema riu, achando graça. — Eu forcei muito agora, estou um pouco cansada. Vou descansar um instante.
Ema acomodou-se na área de descanso com uma garrafa de água na mão. Após dar alguns goles, lançou o olhar para o campo e acabou cruzando com os olhos de Henrique. No segundo em que seus olhares se encontraram, Ema desviou o rosto rapidamente.
Depois de jogarem por mais algum tempo, Ema arranjou uma desculpa e puxou Zenobia para irem embora.
As duas foram jantar em um restaurante próximo e ficaram conversando até o início da noite. Em dado momento, Zenobia comentou:
— Eu não estou com o meu carro hoje, não tem problema eu te deixar lá no Bosque dos Ipês, né?
Ema ficou em silêncio por um breve instante antes de responder:
— Zenobia, para ser sincera, pensei muito sobre tudo isso nos últimos dias. Tenho muito medo de que a Helena não direcione sua fúria apenas a mim, mas que acabe sobrando para você também.
Zenobia acenou com a mão, minimizando a preocupação:
— Não esquenta a cabeça comigo. No trabalho, eu estou super segura. E lá no meu condomínio a segurança também dá pro gasto. Fica tranquila. Vem, vou te levar para casa.
— Está bem, mas fique atenta para ver se tem algum carro nos seguindo. E daqui para frente, preste mais atenção por onde anda.
— Pode deixar.
Ema ficou sem graça; aquela demonstração excessiva de formalidade até a deixou um pouco nervosa. Ela disse com suavidade:
— Não precisa agir assim toda vez que me vir. Esta é uma amiga minha, podemos entrar com o carro?
O guarda manteve a postura respeitosa e respondeu:
— Sim, senhora. Abrirei os portões imediatamente.
Enquanto os pesados portões se abriam lentamente, Zenobia deu a partida no carro para entrar. Os doze seguranças formaram duas fileiras perfeitas e curvaram-se em reverência enquanto o veículo passava.
O canto dos lábios de Zenobia se contorceu em um misto de descrença e choque.
— Eu, que já rodei tanto nessa vida, nunca fui tratada assim nem no hotel mais luxuoso do mundo. Ema do céu, você agora está por cima da carne seca.
Ema deu um sorriso sem graça:
— Por favor, não tire sarro de mim. Eu não tinha ideia de que ele tinha colocado um batalhão aqui.

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