Ema sentiu o coração acelerar, pensando que as coisas não podiam continuar assim. Após um momento de silêncio, disse:
— Dona Glória, a guarda das crianças pertence a mim, o Alípio me prometeu isso. A senhora não pode... não pode ter outras intenções.
Dona Glória ficou furiosa ao ouvir aquilo. Ela havia engolido o próprio orgulho e se rebaixado para agradar aquela mulher pelo bem do seu precioso filho, e Ema achava que ela queria roubar as crianças?!
Como assim? A tentativa de agradá-la não estava óbvia o suficiente?! Aquela mulher era tão estúpida assim?!
Ema, notando a expressão de irritação no rosto de Dona Glória, ficou tensa de imediato. Pelo visto, havia acertado; caso contrário, por que ela ficaria tão furiosa com a recusa?
Ema não ousou se mexer, avaliando a situação. Se Dona Glória desse um escândalo, ligaria para Alípio.
As duas ficaram de pé por um bom tempo, perdidas em seus próprios pensamentos, até que Dona Glória, com uma expressão emburrada, sentou-se no sofá, cruzou os braços e falou em tom de ordem:
— Coma o seu almoço primeiro!
Moleque atrevido, fazê-la entregar marmita?! Quando ela voltasse, ele ia ver só!
Dona Glória resmungava mentalmente, lançando olhares furtivos para Ema de tempos em tempos.
Ema permaneceu parada. Como teria coragem de comer aquela comida? Talvez, assim que terminasse, Dona Glória começasse a discutir sobre as crianças.
O clima voltou a ficar tenso. Exatamente naquele momento, Hortensia entrou correndo, aflita:
— Ema, Ema, dois policiais à paisana chegaram na recepção e disseram que precisam falar com você.
Ema franziu o cenho:
— Não se preocupe, mande-os entrar.
— Certo... — Hortensia saiu apressada novamente.
Ao ouvir isso, Dona Glória se levantou de um salto e olhou para Ema:
— Você... você não cometeu nenhum crime, cometeu?
Ema respondeu com calma:
— Não.
Dona Glória a encarou com desconfiança. Logo, dois homens entraram, e, após mostrarem brevemente seus distintivos, um deles disse:


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