Ema parou de se mexer e disse, ansiosa:
— Mova-se um pouco e fique de costas para mim. Vou tentar soltar a corda com os dentes.
Os minutos passavam lentamente. O canto da boca de Ema já estava em carne viva e sangrando, mas ela não parou.
Finalmente, ela conseguiu desfazer o nó cego.
Suportando a dor, Dona Glória logo começou a desamarrar a corda de seus próprios tornozelos, o que levou mais um bom tempo. Assim que se soltou, jogou-se para perto de Ema para ajudá-la.
Ema tentou dissuadi-la:
— As cordas estão difíceis de soltar. Fuja e encontre um jeito de chamar a polícia. Está vendo aquela janela? Tente subir, você deve conseguir escalar.
— Eu... eu nunca passei por algo assim, estou morrendo de medo. — Agindo como se não tivesse ouvido Ema, Dona Glória continuava tentando desamarrar os nós, tagarelando sem parar com a voz trêmula:
— Você... pare de tremer, me dá ainda mais desespero ver você tremendo. Eu falei que você dava azar, mas meu filho não acreditou. Ele quase perdeu a vida por sua causa, e mal fui ao Bosque dos Ipês e já me queimei. E agora, bastou eu aparecer na sua empresa para ser sequestrada e trazida para cá. Quando eu sair daqui... assim que eu sair, vou mandar meu filho esquecer de você, antes que acabe nos matando.
Ema: ...
Ema ficou sem saber se ria ou chorava. Apesar da ladainha, Dona Glória não a abandonara para fugir sozinha quando se viu livre. Isso contava a seu favor...
Naquele instante, a porta do galpão foi escancarada e Helena apareceu, acompanhada pelos dois homens que as sequestraram.
Dona Glória, muito ágil, rapidamente fingiu estar amarrada de novo, encostando-se ao lado de Ema.
Com uma expressão sombria e um sorriso maldoso estampado no rosto, Helena caminhou lentamente na direção de Ema e declarou, arrastando as palavras:
— Ema, quanto tempo.
Ema lançou-lhe um olhar glacial e rebateu:
— Fui eu que você veio sequestrar, deixe ela ir embora!

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