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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 354

As palavras fizeram o coração de Sylvia disparar. Ela deu um passo à frente e arrancou a taça das mãos dele:

— Você não pode encostar nele!

Ela carregara Alcides no ventre por dez meses e suportara todas as dores do parto. Já o homem à sua frente ocupava um lugar em seu coração há mais de trinta anos. Ela jamais aceitaria que ele fizesse mal a Alcides.

— Ele não é o meu filho. Por que eu não poderia encostar nele? — O homem não se enfureceu por ter tido sua bebida tomada.

Seu olhar percorreu rapidamente a postura de Sylvia, que ainda tentava manter a elegância, mas os olhos avermelhados denunciavam o pânico que a devorava por dentro.

Ele manteve a sua posição:

— Salvá-lo está fora de cogitação. Sem mencionar que não tenho chances de tirá-lo das mãos de Kylen, com as atitudes que ele tomou, você nem deveria ter vindo me procurar.

Após soltar essas palavras, o rosto do homem tornou-se gélido e ele deu as costas, preparando-se para partir.

O coração de Sylvia apertou. Sem pensar duas vezes, ela correu em sua direção e o abraçou por trás, prendendo-o pela cintura:

— Você já vai?

— Não posso ficar exposto por muito tempo. — O rosto dele continuava impassível.

Ele abaixou os olhos para as mãos de Sylvia, impecavelmente cuidadas. Seus dez dedos eram tão belos quanto jade da mais pura qualidade.

Antigamente, as mãos dela também eram assim.

Mas onde ela estaria agora?

Sem piedade, o homem arrancou as mãos de Sylvia de si. Sua voz era puramente glacial:

— Estou indo.

— Você realmente não vai me ajudar? — A voz de Sylvia ecoou em suas costas.

Ele parou de andar, virou-se e a encarou com um olhar afiado como uma lâmina.

— O que você quer dizer com isso?

Sylvia sustentou o olhar de advertência do homem. Embora o quarto fosse vasto e arejado, a tensão ali presente criava uma atmosfera sufocante.

Ela conhecia aquele homem desde a adolescência e sabia perfeitamente como ele agia. Aquela postura significava que estava furioso.

No interior do quarto, as pernas de Sylvia cederam e ela escorregou até o chão. Ficou ali, desolada, encarando a porta por onde o homem passara. Mas sua frieza logo retornou, apoiando-se na mesa, reergueu-se e sentou-se no sofá.

No fundo, ela sabia que ele jamais a ajudaria na questão de Alcides. Aquele encontro servira apenas para testá-lo.

Agora, só restava uma única alternativa.

...

Alícia agarrou o leme com força. Ao ouvir a voz de Kylen, a sensação de liberdade que havia tomado conta dela dissipou-se como fumaça no ar.

— Teria sido muito divertido, se eu estivesse no mar com qualquer outra pessoa. — Ela retrucou rispidamente.

O braço de Kylen ainda envolvia sua cintura com firmeza, e ele sentiu, de forma clara, a brusca mudança de humor através do corpo dela.

Ele apertou ainda mais o braço, forçando-a a virar-se e sentar-se de lado em seu colo.

— Qualquer outra pessoa quem? O seu Narciso Simões?

Os músculos das coxas do homem eram firmes e perfeitamente definidos, de uma dureza rígida. Enquanto lutava para se soltar, os olhos de Alícia encontraram o olhar sombrio e carregado dele.

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