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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 368

Assim que Alícia terminou de falar, o homem à sua frente respondeu com tranquilidade:

— Tudo bem.

Contudo, logo após aceitar, ele a observou com um olhar carregado de significado e disse, em tom grave:

— Você não disse que eu não tinha mais nenhuma credibilidade com você? Por que ainda quer jogar isso comigo?

— Então você vai mentir para mim? — Alícia encarou-o diretamente, sem recuar.

O olhar de Kylen tornou-se ainda mais profundo.

— Não vou.

Alícia não acreditou muito naquelas palavras, mas seria capaz de julgar por si mesma as respostas que ele desse.

Ela colocou os talheres sobre a mesa, levantou-se e disse:

— Certo. Te encontro na varanda em uma hora.

Observando a silhueta dela se afastar e deixar a sala de jantar, Kylen pousou o garfo lentamente. Em seguida, ele também se levantou e seguiu em direção à cozinha.

Os criados se assustaram ao vê-lo entrar na cozinha:

— Diretor Lourenço, há algum problema com a comida?

Eles haviam preparado tudo exatamente de acordo com as receitas fornecidas pelo Diretor Lourenço. Detalhes como a quantidade de sal a ser usada haviam sido especificados, e a única obrigação deles era cozinhar os pratos favoritos da Sra. Serra.

— Não. Só vim torrar uma porção de amendoins. — respondeu Kylen com naturalidade. Então, arregaçando as mangas da camisa, acrescentou sem olhar para eles: — Fiquem à vontade.

Os cinco criados ficaram perplexos. Só quando Kylen pegou uma frigideira é que despertaram do choque e correram para intervir.

— Diretor Lourenço, deixe que nós fazemos isso.

— Não é necessário. — Kylen pareceu recordar-se de algo e comentou, em tom suave: — Faz muito tempo que não preparo isso para ela.

Alícia estava sentada numa cadeira de vime na varanda. O céu escurecera, e o som das ondas quebrando na costa chegava até ela. Encostada na cadeira, seu olhar estava fixo na Estrela Polar acima de sua cabeça.

Como a Estrela Polar é a que menos altera sua posição em relação às outras estrelas, sendo essa mudança quase imperceptível para os observadores na Terra, ela é o símbolo da imutabilidade, conhecida como o farol do universo.

Imutável e eterna...

Será que realmente existia algo imutável e eterno neste mundo?

Antes, ela achava que não, mas agora sabia que sim.

Era óbvio que ela não queria jogar apenas o jogo comum, onde se escolhe entre responder a verdade ou beber.

O cabelo de Alícia estava preso num coque baixo usando a gravata de Kylen. A pureza que o longo vestido branco transmitia equilibrava o encanto naturalmente sedutor que ela exalava.

Algumas mechas caíam soltas pelas laterais do seu rosto, e a forma como ela mantinha o olhar abaixado lhe conferia um ar de doçura.

O suave aroma floral pairava no ar quando ela abriu a boca:

— Faremos dez perguntas, alternadamente. O outro pode escolher responder ou beber.

Aquilo parecia idêntico ao jogo da verdade tradicional.

Mas...

Alícia ergueu os olhos para encontrar as íris negras de Kylen.

— No entanto, até o fim das perguntas, só haverá três chances de escolher a bebida. Se essas três chances se esgotarem antes do término, todas as perguntas subsequentes terão que ser respondidas obrigatoriamente.

O longo dedo indicador de Kylen empurrou o prato de amendoins na direção dela.

— Você não queria beber comigo? Se decidir responder a tudo, acabará não bebendo uma gota sequer, não é?

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