Yolanda apanhou a roupa do chão.
Seus dedos rígidos e trêmulos quase furaram o tecido.
Ela não estava enganada. Era exatamente aquele casaco que Alícia usava naquele dia.
Era de uma marca que Alícia adorava. O preço não era nada modesto, mas para alguém como ela — uma jovem senhora que crescera rodeada de luxo, amada pelos pais até os sete anos e, depois, levada para a Mansão Lourenço —, aquilo era apenas mais uma peça de roupa comum, como as que qualquer pessoa compraria.
Durante todos aqueles anos, o estilo e os hábitos de se vestir de Alícia não haviam mudado.
Como se ainda não acreditasse, Yolanda agarrou o casaco, levou-o ao nariz e inalou. Um leve cheiro de perfume invadiu suas narinas.
Era mesmo de Alícia!
O casaco estava encharcado pela chuva, pesando muito em suas mãos.
Exatamente como seu coração, que afundara naquele instante.
Ela se lembrou da cena antes da explosão. Alícia ainda usava aquele casaco.
E a onda de choque da explosão não poderia ter jogado Alícia para dentro daquela floresta.
Então, por que a roupa dela estava ali? A resposta era óbvia.
Alícia não estava morta!
Ela não havia morrido!
Ela havia rastejado para dentro da floresta!
Mas, mesmo que estivesse encharcado, Alícia não teria motivos para tirá-lo, a não ser que alguém lhe pedisse para fazer isso e lhe desse algo mais quente.
Então, quem seria essa pessoa?
Quem cuidaria de Alícia com tanta compaixão?
Yolanda cerrou os dentes, que batiam de frio. Seus olhos ficaram subitamente vermelhos, e lágrimas de pura frustração transbordaram.
Nenhum deles havia morrido. Nem Alícia, nem Kylen!
E eles, assim como ela, também haviam entrado na floresta. Talvez não estivessem muito longe.
Disparos começaram a ser ouvidos pela floresta, vindos de várias direções.
Usando óculos de visão noturna, Alícia, apoiada no ombro de Kylen, disparou com precisão contra um dos capangas de Gustavo que estava às três horas deles.
O recuo da arma fez a coronha bater nas costas de Kylen.
Uma pitada de constrangimento surgiu em seu rosto, mas no segundo seguinte, ela pediu desculpas com naturalidade:
— Me desculpe.
Aquela dor não era nada para Kylen. Ele olhou para o capanga de Gustavo caído no chão e soube que o tiro de Alícia havia sido fatal.
Continuando a andar de maneira firme, ele comentou:
— Sua pontaria melhorou.
Alícia não esperava que Kylen fosse capaz de dizer algo lisonjeiro, mas, ainda assim, foi um comentário justo e agradável de ouvir.
— É porque o meu professor é excelente. — Alícia segurou a arma, refletindo que, se até mesmo Kylen fora capaz de proferir um elogio, Lúcio certamente também a elogiaria se estivesse ali.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...