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Adeus, Meu Ontem! romance Capítulo 450

A porta do quarto do hospital foi escancarada, e as vozes de Narciso e Enrique ecoaram.

Enrique puxou o ar com força.

A faca de frutas já havia perfurado o peito de Kylen. O sangue encharcava a roupa do hospital, e todo o seu peito estava coberto de vermelho.

Que força Alícia poderia ter? Havia sido Kylen quem segurara a mão dela, forçando-a a esfaqueá-lo.

Ele estava completamente louco!

— Senhorita... — Os passos do Sr. Batista hesitaram, e ele olhou atônito para as duas pessoas na cama.

Até mesmo Hera, que vinha logo atrás, ficou tão chocada com a cena que mal conseguia andar, escondendo-se instintivamente atrás da pessoa que parecia mais confiável ao seu lado.

No entanto, assim que ela se moveu, um vulto passou à sua frente. Vinicius já havia dado um passo à frente com suas pernas longas.

— Espere.

Enrique levantou a voz para impedi-lo.

— Você não vê quem está segurando a faca? Acha que consegue tirá-la dele?

O cenho de Vinicius carregava uma expressão severa. É claro que ele tinha visto que era Kylen quem segurava a faca. Sua primeira reação foi correr para protegê-lo, mas, no instante em que Enrique falou, ele parou.

Enquanto Kylen não soltasse a faca, ninguém conseguiria tirá-la de suas mãos.

Ele havia escapado das garras da morte e, lutando por um último fôlego para chegar até Alícia, já estava no limite de suas forças. Porém, a teimosia implacável que corria em suas veias garantia que ele jamais a soltaria, mesmo que precisasse rasgar a própria carne.

Neste mundo, a única pessoa capaz de salvá-lo era Alícia.

Apenas Narciso permanecia no mesmo lugar, imóvel, observando as duas pessoas na cama com um olhar complexo.

Apesar de tantas pessoas terem invadido o quarto, Kylen as ignorava completamente. Seus olhos não piscavam enquanto encaravam o rosto pálido e rígido de Alícia, e seu aperto na mão dela ficava cada vez mais forte.

Os dedos de Alícia tremiam em espasmos devido à força que ela fazia para se soltar, mas, mesmo assim, Kylen não a largava.

— Você acha que, agindo assim, eu vou...

— Não vai. — Os lábios de Kylen se moveram. À medida que o sangue esvaía, o rosto dele assumia uma palidez assustadora.

— É claro que você não vai me perdoar, e eu nem esperava por isso. Esta facada é apenas para mantê-la aqui. — Um sorriso autodepreciativo surgiu no canto de seus lábios.

Louco, completamente louco!

Enrique sentiu um calafrio na espinha. Uma atitude tão extrema só afastaria Alícia ainda mais.

— Você se enganou. — Sentindo o cheiro de sangue cada vez mais intenso, os olhos avermelhados de Alícia transbordavam de uma frieza implacável. — Mesmo que você se esfaqueie mais algumas vezes, eu não vou ficar.

Com um ruído metálico, a faca escorregou e caiu no chão.

O corpo de Kylen finalmente cedeu. Sua figura alta escorregou para baixo, caindo de joelhos no chão, mas sua mão grande ainda segurava firmemente a mão de Alícia.

Ambas as mãos estavam igualmente frias e rígidas.

E, depois que ele se ajoelhou, Alícia, sentada na cama, pôde ver que todas as costas dele estavam manchadas de sangue. O vermelho assustador se espalhava a partir da mancha mais escura e viscosa no centro de suas costas.

A julgar pelo sangue que já começava a coagular, ele estava sangrando desde o momento em que havia entrado no quarto.

Os dedos dela tremeram levemente, mas logo foram apertados com ainda mais força por Kylen.

— Vinicius, todo o pessoal já está a postos? — Ele ofegou, perguntando sem sequer olhar para trás.

— Todos a postos, aguardando apenas a sua ordem. — Vinicius assentiu.

Ele havia lutado por cada fôlego até o quarto de Alícia, arrastando passos pesados pelo caminho, ofegando a cada movimento, apenas para ver com os próprios olhos que ela estava bem, e para mostrar a ela que ele também estava.

Agir assim agora não era o mesmo que cortar o último fio de vida que o mantinha de pé?!

Faltou pouco para Enrique se ajoelhar diante de Alícia. No entanto, no segundo seguinte, o corpo dela desabou.

— Alícia!

Ágil, Narciso correu para ampará-la. O rosto de Alícia não tinha um pingo de cor, e ela mantinha os olhos fortemente fechados; havia desmaiado.

Com a perda da consciência, a tensão de seu corpo cedeu. Ela soltou os lábios que antes mordia, revelando a carne machucada e ensanguentada.

Chorando, Hera pegou um lenço umedecido e limpou suavemente a boca dela. Seu coração doía tanto que ela nem sabia o que dizer.

Ela sabia há muito tempo o quanto Alícia amava Kylen. Se a facada que ele deu em si mesmo representava dez na escala de dor, para Alícia, o sofrimento chegava a onze.

Quando os profissionais de saúde chegaram ao quarto, Kylen já havia perdido a consciência, mas suas mãos continuavam agarradas a Alícia, exatamente como na madrugada em que fora trazido ao hospital.

Mas a promessa de Vinicius, de que cuidaria de Alícia em seu lugar, não surtiu qualquer efeito desta vez.

Sem outra alternativa, a equipe médica teve que levá-los juntos para a sala de emergência.

Isso nunca havia acontecido antes; hoje, uma exceção foi aberta por causa de Kylen.

Ao entrarem na sala de emergência, a equipe médica conectou rapidamente os monitores cardíacos em ambos.

— Bip... Bip... Bip...

A frequência dos batimentos cardíacos dos dois era, surpreendentemente, idêntica.

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