A respiração de Enrique travou.
— Cada um desses crimes merece a pena de morte! Você é mesmo... Você ainda mandou apagarem as memórias dela!
Kylen baixou os olhos, sua expressão completamente imperturbável.
— Não havia outra saída.
— Não, havia sim. Apagar a memória dela não era a única opção. Você só não quis admitir e não teve coragem de soltá-la. Você poderia muito bem tê-la deixado ir.
— Impossível.
Kylen rechaçou a ideia antes mesmo que ele terminasse de falar.
Enrique, obviamente, já sabia disso; caso contrário, Kylen não teria chegado ao extremo de apagar a mente de Alícia.
Na verdade, até o próprio Enrique já desejara usar um método semelhante para apagar as lembranças de alguém. A lembrança da cena no quarto de Alícia voltou à sua mente, deixando um rastro de calafrio.
— Mesmo antes disso ela já queria deixar Cidade Linvar. Juntando as rixas dos seus pais e a tragédia dos pais dela, é impossível que ela aceite continuar ao seu lado. Vai tentar apagar as memórias dela de novo?
Kylen olhou para os machucados nas próprias mãos. Eram as marcas das unhas de Alícia, feitas enquanto ela lutava desesperadamente para se soltar do aperto inabalável dele.
— Ela não suportaria passar por isso novamente.
Enrique ficou paralisado.
Coincidentemente, o elevador parou no último andar, onde ficava a Unidade de Terapia Intensiva.
Enquanto Enrique empurrava a cadeira de rodas pelo corredor, avistou de longe uma enfermeira conhecida saindo às pressas do quarto de UTI e correndo em direção ao consultório médico.
Segundos depois, um médico saiu correndo da sala.
— O que aconteceu?! — Kylen exigiu saber, com a voz grave.
Ao ver Kylen, o médico adotou uma expressão severa:
— Lan estava dormindo, mas de repente seus batimentos cardíacos dispararam e a pressão arterial caiu drasticamente.
— São sintomas de choque.
— Sim, o papai voltou. — Kylen segurou a mãozinha que Lan esticava, apertando-a com uma leveza extrema por medo de machucá-lo, já que o dorso daquela pequena mão ainda carregava as marcas das agulhas.
As pálpebras de Lan tremularam enquanto ele fechava os olhos exaustos, abrindo-os em sobressalto logo depois apenas para se certificar de que Kylen ainda estava ali. Satisfeito, permitiu-se descansar.
Com os olhos vermelhos e as pontas dos dedos trêmulas, Kylen tocou o rosto de Lan.
O estado de Lan havia se agravado. Se nos próximos trinta dias não encontrassem uma medula óssea compatível...
Mesmo que Yolanda sobrevivesse, ainda precisaria passar por um longo processo para eliminar as toxinas do organismo e recuperar o sangue.
Um mês não seria tempo suficiente de forma alguma.
Kylen levantou a mãozinha do filho e a beijou através do traje de isolamento.
Naquele exato momento, o médico caminhou apressadamente em sua direção, incapaz de esconder a excitação na voz:
— Diretor Lourenço, recebemos ótimas notícias do banco de medula óssea!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...