Assim que as palavras saíram, Hélder se arrependeu. O Irmão J não era esse tipo de pessoa; não era de ofender ninguém, mesmo que fosse para animar a Sra. Serra...
Mas, no segundo seguinte, ele viu a ponta dos dedos de Lúcio digitando rapidamente na tela.
[Kylen é um desgraçado.]
Hélder ficou chocado. Então o Irmão J sabia xingar!
Alícia ergueu os olhos, viu a tela do celular e moveu o canto dos lábios num sorriso sem força.
Do fundo da garganta de Lúcio veio um som abafado de tosse. Suas mãos nas muletas se esforçavam para sustentar o próprio corpo, e então ele usou uma delas para puxar uma cadeira para perto da cama.
Sentou-se e continuou a digitar uma mensagem:
[Não pense no que não consegue entender. Nem tudo neste mundo tem uma resposta. Mesmo que Kylen tenha interferido na sua vida, você ainda é a Alícia, e ninguém, além de você mesma, pode mudar isso.]
[Se você desistir até de si mesma, então a Alícia realmente vai desaparecer.]
Os olhos avermelhados de Alícia se umedeceram. Com a visão embaçada pelas lágrimas, ela olhou profundamente para aqueles olhos castanho-escuros do homem à sua frente.
[Coma alguma coisa. Viva por você mesma.]
O véu de confusão que encobria a mente de Alícia pareceu sofrer uma rachadura, permitindo a entrada de um feixe de luz. Seus lábios pálidos se mexeram, e sua voz soou rouca: — ...Está bem.
Ao ouvir sua resposta, as sobrancelhas antes franzidas do homem relaxaram devagar.
Empolgado, Hélder aproximou a bandeja. Uma mão com a luva de compressão a pegou e a estendeu diante de Alícia.
...
Enrique voltou dirigindo para a Mansão Cardoso. Ao chegar no pátio, parou por um instante e olhou para o lado, onde um carro esportivo vermelho estava estacionado.
— Caia fora. — O rosto frio da mulher não expressava emoção alguma.
O que Enrique mais gostava era justamente ver outras emoções brotarem naquele rosto.
Aquela garota, adotada pelos pais dele no orfanato antes mesmo de ele nascer, havia se tornado sua irmã sem nenhum laço de sangue.
Os dedos dele deslizaram da cintura de Clara para cima, massageando a espuma espessa. — Por que a irmãzona está sendo tão má comigo logo ao chegar em casa?
"Plaf!" A mulher acertou um tapa estalado do lado direito do rosto dele.
Enrique não se irritou. Segurou a mão dela, levou aos lábios e lhe deu um beijo. No instante em que a expressão da mulher começou a mudar, ele mordeu o pulso dela: — Clara, eu já te avisei. Se me bater de novo, vou te mostrar do que um louco é capaz.
A mulher puxou o braço com força e o empurrou para longe de uma só vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...