Alícia moveu os olhos em direção ao Sr. Batista, que estava sentado ao lado da cama, e permaneceu em silêncio.
Seus olhos, agora vazios, haviam perdido todo o brilho de outrora.
— Você não adora churrasco no pão? Fui comprar para você. Coma só um pedacinho. — Hera propôs com a voz mansa.
Alícia contraiu os lábios e não disse nada, mas as lágrimas escorreram silenciosamente pelo canto dos olhos.
— Não chore. Coma só um pouquinho, por favor. — Os olhos do Sr. Batista já estavam vermelhos muito antes de ela acordar. Agora, ao vê-la assim, as lágrimas rolaram pelo seu rosto. Apertando a mão dela com cuidado, pediu-lhe compassivamente.
Por fim, uma voz rouca emergiu dos lábios de Alícia.
— Eu não estou com fome.
A garganta de Narciso travou, forçando-o a desviar o olhar para outro lado.
— Só uma mordida, tudo bem? — O Sr. Batista insistiu.
Contudo, Alícia não deu outra resposta. Limitou-se a fechar os olhos com fraqueza.
Narciso recebeu uma ligação confirmando que o psicólogo mais renomado vindo do exterior acabara de chegar em Cidade Linvar. Ele se virou e saiu do quarto, enquanto Hera o acompanhou para buscar o médico.
— Senhorita, seja boazinha, coma um pouco. — A voz paciente do Sr. Batista cortou o silêncio do quarto.
No entanto, Alícia parecia incapaz de escutá-lo.
O olhar do Sr. Batista fixou-se no rosto dela, agora perceptivelmente mais fino. Ele abaixou a cabeça, engolindo os soluços.
De repente, ele sentiu uma mão afagar-lhe suavemente o topo da cabeça.
— Senhorita... — O corpo dele paralisou e ele levantou o olhar na mesma hora, cheio de alegria.
Mas as palavras de Alícia vieram como um banho de água fria.
— Sr. Batista, não se preocupe comigo. Quando eu estiver com fome, eu comerei.
Ela não comera nada o dia inteiro e o pouco que engolira no almoço havia sido vomitado. Como seria possível não estar com fome?
Não era falta de fome; era o fato de o seu corpo recusar-se a tolerar a comida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...