A mão de Alícia caiu ao lado do corpo, deixando a máscara preta e as cicatrizes falsas deslizarem até o chão. Ela olhou atônita para aquele rosto e, de repente, cerrou os dentes. No segundo seguinte, soltou um riso tão fraco que era quase imperceptível.
— Era você...
Então "Lúcio" era mesmo alguém que ela já conhecia muito bem.
Ele era o homem de confiança de Kylen; dizer que eram companheiros de batalha não seria nenhum exagero.
No início, ela achara as costas de Lúcio muito familiares. Tentara sondá-lo em momentos de distração, até mesmo o chamando de "Vinicius". Naquela ocasião, ele não esboçou a menor reação, mantendo-se tão calmo como se nunca tivesse ouvido aquele nome na vida.
Agora estava claro: além de ter ótimas habilidades de combate, ele também era um excelente ator.
Em silêncio, Vinicius tirou o boné preto, revelando os cabelos escuros, densos e um pouco ásperos. Ele olhou para Alícia com um olhar profundo e sombrio.
— Sou eu. Codinome, J.
Hélder ficou paralisado no lugar, como se tivesse sido atingido por um raio.
Porém, aos poucos, algumas peças soltas do passado começaram a se encaixar na sua cabeça.
O porquê de Vinicius conhecer tão bem seus ferimentos antigos... O porquê da silhueta dele no escuro lhe parecer tão familiar... O porquê de os tapinhas na cabeça, quando Vinicius tentava acalmá-lo, lhe trazerem tanta nostalgia.
Então, aquele grandalhão bobo do Vinicius...
Não, a verdade é que Vinicius era o Chefe J!
Hélder rapidamente ergueu as mãos e deu uns tapas no próprio rosto. Doeu e ardeu. Não era um pesadelo!
Na cama do hospital, os olhos de Alícia tremiam. Ela respirou fundo, lentamente.
Fingir ser mudo na frente dela, fingir não conhecê-la e até...
Alícia olhou para a muleta que ele segurava, pegou um travesseiro e o atirou com toda a força contra o objeto.
O impacto não moveu a muleta um milímetro sequer.
A essa altura, não havia mais motivo para continuar com o teatro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...