Nos últimos dias, ela havia ficado preguiçosa.
Com preguiça de comer, com preguiça de abrir os olhos. Era como se todas as coisas do mundo não tivessem mais nada a ver com ela.
Isso até ouvir um choramingo familiar.
Alícia finalmente abriu os olhos, encarando de forma apática o Pastor Alemão que estava parado ao lado da cama, roçando o focinho em seus dedos.
O cão estava com a língua de fora, abanando o rabo e olhando para a dona com os olhos cheios de alegria, ansioso para ouvir a voz familiar chamando seu nome.
Contudo, ele esperou por um bom tempo e não ouviu Alícia chamá-lo de "General" com aquele tom de mimos e carinho de sempre.
General abaixou a cabeça e se aproximou um pouco mais das mãos de Alícia, esfregando a cabeça canina nas costas da mão dela enquanto soltava um murmúrio triste.
Observando a cena aflito, o Sr. Batista disse a Narciso:
— Eu achei que a senhorita ficaria um pouco mais feliz com a vinda do General.
Mas pelo visto, nem mesmo o General estava funcionando.
— Foi o Kylen quem mandou você trazê-lo? — perguntou Narciso, franzindo a testa ao ver a indiferença de Alícia diante do cão.
O Sr. Batista assentiu.
Depois que Alícia voltou a dormir, Narciso foi até o quarto de Kylen, mas ele não estava lá.
No entanto, assim que se virou, viu Kylen saindo do elevador.
No momento em que avistou Narciso, a expressão de Kylen mudou sutilmente, e ele acelerou os passos de forma instintiva.
Ainda assim, Narciso bloqueou seu caminho.
— Ela já está dormindo. É sobre outro assunto que vim falar com você.
...
Alícia não estava dormindo. Ela apenas não queria abrir os olhos e ver todos forçando expressões tranquilas na frente dela, como se nada estivesse acontecendo.
Ela abriu os olhos e sentou-se. O Sr. Batista apoiou o braço dela.
— Por que não dorme mais um pouco?
— Não consigo. — A voz dela soou muito fraca.
O Sr. Batista sentiu um nó na garganta. Não querendo deixá-la ansiosa, explicou:
— Talvez seja porque você está presa neste quarto há muito tempo. Quer sair um pouco para tomar um ar?
O estado atual de Alícia era extremamente preocupante, e sua intuição dizia que precisava esclarecer aquela questão.
Ele massageou a testa com os punhos cerrados e usou um tom pesado:
— Você atirou na Yolanda para impedi-la de terminar de falar, para que a Alícia não ouvisse o resto, não foi?
— A Yolanda envenenou a Alícia no passado. Ela sobreviveu, mas o bebê morreu. O que ela quis dizer com a frase que não terminou? O que o bebê fez no lugar da Alícia?
Kylen permaneceu em silêncio, mas a curva profunda de suas sobrancelhas franzidas guardava mil palavras não ditas.
No segundo seguinte, um grito agudo e desesperado ecoou de fora das escadas.
Aquela voz!
Kylen foi o primeiro a disparar pela porta em direção ao corredor, mas já era tarde demais. Alícia estava sentada na cadeira de rodas, agarrando a cabeça e gritando histericamente.
Seus olhos estavam vermelhos como sangue, o rosto banhado em lágrimas.
Ela fitou Kylen bruscamente, com a voz rouca e seca murmurando:
— O bebê... ele morreu no meu lugar, não foi...?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Adeus, Meu Ontem!
Não tem mais capítulos???...